Há controvérsias sobre as últimas eleições na Venezuela, são inegáveis, a forma pouca clara em que Maduro foi reeleito, mas não é esse o motivo da invasão.
EUA tem histórico de intervencionismo para usurpação de riquezas mundo afora.
Os fatos.
Dificilmente algum país sofreu uma massa de sanções quanto a Venezuela nos últimos anos. Suas reservas internacionais foram confiscadas. Seus ativos no exterior, como as instalações da PDVSA nos Estados Unidos, foram expropriados. Perdeu acesso ao sistema SWIFT, que coordena o sistema de pagamentos internacionais; deixou de exportar e importar, entre outros efeitos negativos.
O objetivo explícito: provocar uma crise econômica e social de tal monta que tornasse inviável a vida social e a estabilidade do sistema político. Nenhum país seria capaz de resistir a uma ofensiva desse porte.
Somou-se a produção e difusão de enorme massa de informações negativas de todo tipo, como parte do projeto de desestabilização. O mesmo estratagema que os Estados Unidos usaram quando preparavam ataques ao Vietnã, ao Iraque, à Líbia, à Iugoslávia...
Foi um êxito: provocou-se, de fato, uma imensa crise, e mesmo dentro do comportamento progressista da Venezuela formou-se uma maioria de pessoas que aderiu à histeria, (sem enteder nada). Poucos resistiram. Foram enxovalhados.
Mas, aos trancos e barrancos, a Venezuela resistiu o que pode, graças à politização de seu povo. Poderá retornar à normalidade e formar uma sólida maioria favovável. O que está em crise, agora, é o próprio projeto de desestabilização.
Foi necessário escalar para a opção militar, agora sem meias palavras. Trump já prendeu Maduro e o PETRÓLEO da Venezuela, o ouro, o território. “da Venezuela”, bem entendido; agora dos americanos.
A Venezuela tem que continuar a ser colônia, não pode ser país. Trata-se de uma operação como aquelas que os europeus chamavam de “tomada de terras” no auge do colonialismo do século XIX. Quem conhece a história da África sabe o que isso significa.
As pessoas honestas que se deixaram capturar pela avalanche de desinformação têm o dever de sair do silêncio. Gritaram alto em apoio aos americanos na fase anterior. Não podem se calar agora.
"É inaceitável que a América do Sul seja o locus dessa retomada do COLONIALISMO".
As consequências desse projeto em médio e longo prazo. Ele pode inviabilizar todo o nosso século XXI, assim como o colonialismo europeu inviabilizou o século XX da África.
O problema central não é macroeconômico. Não estou falando sobre tarifas ou assemelhados, mas sobre destinos.
Nessa questão se joga hoje, inclusive, o julgamento que deveremos fazer sobre o governo do Brasil, em perspectiva histórica.
A discussão, vinculada à pequena política, predomina amplamente. É uma tomada de posição. Da pior posição.
Se Venezuela e Colômbia caírem, a fila anda. O Brasil está na rota.
RÚSSIA DE PUTIM JÁ SE MANIFESTOU.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia classificou como um "ato de agressão armada" a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro e da primeira-dama, Cilia Flores. Em comunicado oficial emitido na manhã deste sábado (03), o governo de Vladimir Putin manifestou profunda preocupação com a ofensiva em solo venezuelano e disse que não aceitará desculpas dos EUA.
Moscou defende que a solução para a crise deve ser alcançada por meio do diálogo diplomático, condenando a intervenção direta coordenada por Donald Trump.
“Na situação atual, é importante… evitar uma nova escalada e concentrar esforços para encontrar uma saída por meio do diálogo”, disse o ministério em comunicado.
O posicionamento ocorre no momento em que a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, exige provas de vida do casal presidencial e afirma desconhecer o paradeiro de Maduro após os bombardeios que atingiram a capital, Caracas, e bases estratégicas do país.