O Paraná chegou ao quinto dia consecutivo de alertas por tempestades severas com 46 municípios atingidos desde 1º de novembro. O relatório do Sistema Informatizado da Defesa Civil (SISDC), atualizado às 18h de 4 de novembro, registra 11.960 pessoas afetadas, 2.695 casas danificadas, 7 destruídas, 284 pessoas desalojadas, 11 desabrigadas e nenhuma morte. Nesta quinta-feira, 5 de novembro, o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) mantém 251 cidades paranaenses sob aviso de perigo para tempestade, válido até as 23h59.
O aviso de perigo é o segundo nível da escala do INMET, acima do perigo potencial e abaixo do grande perigo. A previsão é de chuva entre 30 e 60 milímetros por hora, ventos de 60 a 100 quilômetros por hora e queda de granizo, com risco de corte de energia, estragos em plantações, queda de árvores e alagamentos. Outras 399 cidades paranaenses estão sob aviso de perigo potencial, e o estado tem ainda um alerta de declínio de temperatura.
A classificação vermelha foi usada pela Defesa Civil estadual na quarta-feira, 4 de novembro, quando o órgão apontou risco muito alto em cerca de 70% do território, com possibilidade de tempestades supercelulares e novos tornados. “Isso pode, sim, configurar possíveis tornados em algumas regiões”, disse o coordenador executivo da Defesa Civil do Paraná, coronel Ivan Ricardo Fernandes.
Segundo o coronel, o cenário previsto era o segundo pior do ano no estado. Os meses de agosto, setembro e outubro concentraram 70% das ocorrências de desastres no Paraná, e cerca de 60% delas foram vendavais e tempestades severas, de acordo com dados da Defesa Civil citados pelo coronel. Em outubro, 139 municípios foram atingidos por chuvas fortes, granizo e vendavais, segundo o governador Ratinho Junior (PSD).
O episódio mais grave começou na madrugada de 2 de novembro, com um tornado de categoria F2 em Maringá, ventos de quase 200 quilômetros por hora em alguns pontos e rajadas de 90 quilômetros por hora registradas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O vendaval arrancou parte do telhado do 5º Batalhão de Bombeiros Militar e atingiu cinco viaturas, sem ferir militares. A prefeitura decretou situação de emergência na noite de 4 de novembro.
No interior, o granizo castigou Guaíra, no Oeste, com 5.167 pessoas afetadas e 1.393 casas danificadas, e Marquinho, no Centro-Sul, onde 1.080 pessoas e 270 residências foram atingidas, além de três escolas municipais, o Centro de Eventos e a sede da prefeitura. Astorga e Marquinho constam no relatório do SISDC como municípios com situação de emergência decretada.
O governo do estado anunciou 175 milhões de reais em crédito para empresas atingidas. São 100 milhões do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), pela linha Recupera Sul, com juros subsidiados, e 75 milhões da Fomento Paraná, no programa Paraná Recupera Emergencial, com juros zero para microempreendedores. O Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) pode ser usado na reconstrução de estruturas públicas e no apoio às famílias, segundo o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig.
A previsão do Simepar indica risco elevado na madrugada e na manhã de 5 de novembro, com enfraquecimento gradual a partir da tarde, quando as instabilidades se concentram no Leste e na faixa norte do estado. Uma nova área de baixa pressão próxima ao Paraguai deve voltar a favorecer temporais na sexta-feira, 6 de novembro.
A Defesa Civil orienta a população a buscar abrigo em edificações com laje, ficar longe de janelas e não se proteger debaixo de árvores. Alertas gratuitos são enviados por SMS, com o CEP para o número 40199, e pelo WhatsApp (61) 2034-4611. Emergências devem ser comunicadas à Defesa Civil pelo 199 e ao Corpo de Bombeiros pelo 193. Falta de energia deve ser informada à Companhia Paranaense de Energia (Copel) pelo 0800 51 00 116.