Você não tem medo de viajar de moto sozinho?
Viajar de moto sozinho lhe dá a oportunidade de ficar consigo mesmo. Então aprende a regra infantil: "Fique consigo mesmo". Você evoluiu para um estágio maior.
Sozinho, você tem a excelente oportunidade de libertar sua mente e deixar apenas a estrada e o que ela revela, em foco. Isso traz paz interior que, imagino, só os monges consigam em suas meditações mais profundas.
É importante você criar um itinerário e ter um "norte" em sua viagem, mas como você está sozinho, pode decidir ficar mais tempo em uma cidade que gostou ou sair antes para um novo destino. Pode mudar sua rota para conhecer algo que não havia previsto ou só soube da existência naquele momento. Esse tipo de liberdade é extraordinária.
Você sente o clima, a umidade, os cheiros e tem toda a sensação de que você faz parte do ambiente em que está inserido.
Viajando sozinho você só precisa agradar a você mesmo e por isso tem total liberdade.
A gente passa muitas cidades, a maioria pequenas, lugarejos, que permiti parar para tomar uma água e conversar com alguém do local, percebo o quanto o ambiente, o local e a cultura nos faz diferentes, nem melhores nem piores, mas diferentes e que essas diferenças são necessárias para sobrevivermos no ambiente em que estamos inseridos.
Quando a coisa apertar, a gente dá um jeito, só vai descobrir isso viajando sozinho, logo aprende muitas precauções para sua segurança e que nunca está sozinho, sempre tem muitas pessoas com empatia em todos os lugares.
Bom levar pouca bagagem e com isso vai perceber que você pode viver com muito menos e que toda a bagagem que leva no dia a dia é, muitas vezes, pesada demais para se carregar e desnecessário. Aí você lembra a frase do ex presidente do Uruguai, Pepe Mujica: "Eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. Vivo com o suficiente para que coisas não roubem minha liberdade".
Vai encontrar pessoas que nunca lhe viram e nunca mais lhe verão, que lhe ajudarão se precisar, simplesmente pelo prazer de ajudar, trocar informações e curiosidades.
Em uma determinada viagem deixei dar pane seca propositadamente, (sei que é infração), mas eu precisava dessa experiência, para ver quanto tempo alguém iria parar me ajudar. Ali no acostamento, capacete no chão, como manda a regra do motociclista.
Fiquei realmente impressionado: cerca de 10m parou uma pessoa de automóvel e veio em meu encontro com semblante de preocupação, perguntando; precisa ajuda? Também sou motociclista, disse. Impressionante a empatia, a satisfação daquele cidadão em me ajudar, por prazer de ser útil sem pedir nada em troca.
Alguns os chamam de anjos da estrada, outros apenas de pessoas altruístas, o fato é que eles aparecem, basta você precisar.