O resultado preocupa:
Um estudo publicado na revista Communications Earth & Environment, realizado por 53 cientistas, identificou que uma área de mais de 700 mil km² no centro-norte da Amazônia — quase o tamanho do Chile — registrou aumento de pelo menos 3,2°C nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981.
Nessa região, o avanço foi de no mínimo 0,75°C por década, muito acima do aumento de aproximadamente 0,2°C por década observado na temperatura média anual da floresta tropical.
O resultado chama atenção porque o centro-norte amazônico mantém grandes extensões de floresta e sofre menos pressão direta de desmatamento e queimadas do que o leste e o sul do bioma.
Para os pesquisadores, isso evidencia que as transformações climáticas da Amazônia não podem ser explicadas apenas pelo desmatamento regional. O aquecimento global também exerce influência importante sobre os extremos registrados mesmo em áreas relativamente preservadas.
A pesquisa analisou temperatura e precipitação entre 1981 e 2023, dividindo a Amazônia em áreas de aproximadamente 11 km e avaliando não apenas as médias, mas especialmente os períodos excepcionalmente quentes e secos.
A descoberta é preocupante porque essa região corresponde a cerca de 10% da Amazônia e abriga extensas florestas, unidades de conservação e territórios indígenas.
Temperaturas e secas extremas podem aumentar a mortalidade de árvores e animais, favorecer incêndios, alterar a biodiversidade e comprometer serviços ecossistêmicos essenciais.
O estudo mostra que preservar a floresta continua sendo indispensável, mas já não é suficiente isoladamente: reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa também será fundamental para limitar os extremos climáticos que estão atingindo até as partes mais preservadas da Amazônia.