A pesquisa IRG, apelidada na Boca Maldita de DataRatinho, registrou Sandro Alex associado ao apoio de Ratinho Junior no cenário estimulado para o governo do Paraná, mas deixou Ronaldo Caiado (PSD) fora da pergunta. A ausência do presidenciável do próprio PSD no palanque estadual abre conflito político no Palácio Iguaçu antes da divulgação dos números, prevista para 15 de junho.
Antes dos percentuais, o fato central está no questionário. Na pergunta 3, Luiz França aparece “com o apoio do Renan Santos”, Requião Filho “com o apoio do Lula”, Sandro Alex “com o apoio do Ratinho Junior”, Sergio Moro “com o apoio do Flávio Bolsonaro” e Tony Garcia “com o apoio do Joaquim Barbosa”. Os nomes são apresentados de forma randômica aos entrevistados, segundo o formulário da IRG.
O detalhe político é a cadeira vazia de Caiado. O ex-governador de Goiás deixou o cargo em 31 de março para disputar a Presidência da República, enquanto Daniel Vilela assumiu o governo goiano. O PSD havia escolhido Caiado como nome do partido para o Planalto, em movimento articulado pela cúpula nacional da legenda.
Se Caiado é o presidenciável do PSD, por que Sandro Alex não aparece com o apoio dele no Paraná?
A resposta não está escrita no registro, mas a política também fala por omissão. O questionário protege Sandro Alex sob o guarda-chuva de Ratinho Junior e não sob o guarda-chuva nacional de Caiado. Em linguagem de campanha, o Palácio Iguaçu vende continuidade estadual, não alinhamento presidencial.
O movimento conversa com outro recuo já registrado pelo Blog do Esmael. Depois da crise do BolsoMaster, Ratinho Junior pisou no freio na relação com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e abriu espaço para outras composições no campo da direita. Agora, o questionário da IRG sugere que Caiado também ficou sem lugar privilegiado no tabuleiro paranaense.
Em política, jabuti não sobe em árvore. Se Caiado saiu do topo da pergunta, alguém tirou. O ponto verificável é a montagem do cenário: o nome de Sandro Alex aparece preso a Ratinho Junior; os adversários aparecem amarrados a figuras nacionais ou externas ao Paraná; o presidenciável do PSD desaparece da moldura.
A consequência é direta para a campanha governista. Sandro Alex pode tentar herdar a máquina, a capilaridade municipal e o recall administrativo de Ratinho sem carregar, neste momento, o desempenho nacional de Caiado. O custo é outro: o PSD do Paraná manda sinal de autonomia em relação ao PSD nacional.
Não é de somenos o slogan de pré-campanha de Sandro Alex, “unidos e em paz”, embora o clima seja de verdadeira terceira guerra mundial, segundo deputados estaduais ouvidos pelo Blog do Esmael.
No Senado, a mesma sondagem abre outra janela do Palácio Iguaçu. As perguntas 7 e 8 testam Alexandre Curi, Alvaro Dias, Cristina Graeml, Deltan Dallagnol, Filipe Barros, Gleisi Hoffmann e Luiz Carlos Hauly para as duas vagas. Curi e Graeml aparecem nas duas listas, mas o formulário não afirma que os dois formam chapa. A leitura política é que o Iguaçu mede se a jornalista pode caber no mesmo arranjo eleitoral do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
Curi já aceitou disputar o Senado com apoio de Ratinho Junior, em acordo que abriu caminho para Sandro Alex como nome governista ao Palácio Iguaçu. Graeml, testada ao lado dos demais nomes na simulação, pode funcionar como peça de contenção no eleitorado conservador, justamente onde Filipe Barros, Deltan Dallagnol e Alvaro Dias também buscam espaço.
Graeml pode ser uma tentativa para estancar o vazamento do segundo voto do grupo de Ratinho para Filipe Barros, qual seja, avizinha-se uma verdadeira guerra no espectro da direita, como antecipou aqui o Blog do Esmael. De passivo, ela pode passar a ser a solução para o PSD barrar o bolsonarismo.
Nada disso transforma questionário em resultado. A pesquisa registrada informa 1.000 entrevistas, coleta entre 10 e 13 de junho, margem de erro de 3,1 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O eleitor só conhecerá os números a partir de 15 de junho, data prevista para divulgação.
Mas o desenho da pergunta já produz notícia. Ratinho Junior aparece como fiador de Sandro Alex. Flávio Bolsonaro aparece como fiador de Sergio Moro. Lula aparece como fiador de Requião Filho. Caiado, presidenciável do PSD, não aparece como fiador de ninguém.
Ratinho também soltou a mão de Ronaldo Caiado no Paraná, portanto, segundo a DataRatinho.
O primeiro turno das eleições de 2026 será no dia 4 de outubro. Até lá, o Palácio Iguaçu ainda pode trocar apoio, esconder padrinho, testar vice, medir Senado e refazer palanque. Só não pode exigir que o eleitor ignore a pergunta que ele mesmo mandou fazer.