Fortunas, aviões, patrimônio milionário, helicópteros, tudo Ungidos e a Conta que Você Paga
O abismo entre o altar e a realidade das ruas brasileiras nunca foi tão escandaloso. De um lado, o cidadão comum, aquele que acorda de madrugada e não tem dinheiro para a passagem de ônibus ou sequer uma bicicleta simples para ir trabalhar ou frequentar o culto. Do outro, lideranças da fé que tratam jatinhos particulares e helicópteros como "ferramentas de trabalho" comuns e reclamam publicamente que suas aeronaves executivas precisam ser trocadas por modelos mais novos e milionários.
O caso mais emblemático e recente dessa desconexão veio do pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Sem nenhum constrangimento, o pastor veio a público reclamar de um "drama" que atinge o topo da pirâmide da fé: o seu jatinho particular, um modelo Gulfstream, é do ano de 1985 e, segundo ele, está velho e precisa ser substituído por um modelo mais moderno.
Se a ostentação aérea já era uma afronta para o fiel que financia tudo com o suor do dízimo, a aprovação da PEC 5/2023 (a PEC das Igrejas) na Câmara dos Deputados oficializou o deboche. Entramos na era onde até o querosene de aviação e a manutenção dessas máquinas voadoras de luxo serão purificados pelo manto da imunidade tributária total.
Agora, com o mecanismo de crédito previsto na PEC, essas grandes corporações da fé receberão de volta, direto na conta bancária, os impostos embutidos em seus gastos de consumo. É o cashback da ostentação.
