Com centenas de famílias ainda em situação improvisada, a entrega de uma única unidade habitacional levanta questionamentos sobre a agilidade da reconstrução prometida pelo Estado.
RIO BONITO DO IGUAÇU – O cronograma de reconstrução em Rio Bonito do Iguaçu caminha em passos lentos para quem perdeu tudo. Quatro meses após um tornado devastar a cidade em novembro de 2025, o Governo do Estado do Paraná oficializou a entrega de apenas uma casa definitiva das 320 prometidas.
O contraste é evidente: enquanto o plano governamental prevê um investimento de R$ 44 milhões para reerguer o município, a realidade no canteiro de obras ainda não reflete a urgência das famílias. Atualmente, apenas 15 casas estão em processo de construção simultânea, um número tímido diante do déficit habitacional gerado pela catástrofe.
"A espera é agoniante"
Para quem vive sob lonas ou de favores, a entrega solitária desta semana traz um misto de esperança e frustração.
"Ver uma casa pronta é bom, mas saber que faltam mais de trezentas dá um desânimo. A gente ouve as promessas na televisão, mas o tempo passa e a chuva continua castigando quem não tem teto", desabafa um morador que prefere não se identificar, representando o sentimento de urgência da comunidade local.
O que diz o Governo
A Secretaria das Cidades e a Cohapar defendem que a logística de instalação das casas pré-fabricadas é complexa e que o ritmo deve aumentar agora que os primeiros terrenos foram preparados. A promessa é de que 19 novas unidades sejam entregues nos próximos 30 dias.
Além das moradias completas, o Estado reforça que cerca de 600 famílias receberam cartões de até R$ 50 mil para reformas em casas parcialmente atingidas. No entanto, para as famílias que tiveram perda total, a entrega de "uma em trezentas" soa como um conta-gotas diante de uma tragédia de grandes proporções.
O cronograma oficial estende-se por todo o ano de 2026, mas a pressão popular por prazos mais curtos e canteiros de obras mais movimentados só aumenta.