PF prende Daniel Vorcaro e bloqueia R$ 22 bilhões do Master
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira (4), em São Paulo, na 3ª fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras e a suspeita de emissão e venda de títulos de crédito falsos.
Vorcaro foi levado para a Superintendência da PF na capital paulista. O cunhado dele, Fabiano Zettel, também é alvo de mandado de prisão preventiva e ainda não havia sido localizado.
A ofensiva foi autorizada pelo ministro André Mendonça (STF), que assumiu a relatoria dos inquéritos no mês anterior e determinou, nesta etapa, prisões preventivas, buscas e medidas patrimoniais.
Segundo a Polícia Federal, a nova fase investiga a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, atribuídas a uma organização criminosa. Ao todo, são 4 mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais, com apoio do Banco Central do Brasil (BC).
O ponto mais sensível do despacho é o bloqueio: a Justiça determinou sequestro e bloqueio de bens em montante de até R$ 22 bilhões, além de ordens de afastamento de cargos públicos, para travar a circulação de ativos do grupo investigado e preservar valores sob suspeita.
Vorcaro já havia sido preso em 17 de novembro de 2025, quando tentava deixar o país, e depois foi solto. Agora, volta ao centro do caso no momento em que era aguardado para depor na CPI do Crime Organizado, embora tenha sinalizado que preferia falar apenas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
O ministro Mendonça decidiu na terça-feira (3) que a ida de Vorcaro à CPI seria facultativa, mas a prisão mudou o roteiro político e jurídico do caso, que passou a ter impacto direto na agenda de fiscalização do Congresso sobre o sistema financeiro.
Gleisi aponta relação de Vorcaro com bolsonaristas
Nikolas Ferreira teria voado nas asas do Master, segundo a minstra Gleisi Hoffmann.
Gleisi também cita a participação de pastores da Igreja Lagoinha no giro e relaciona Fabiano Zettel, pastor, cunhado e sócio de Vorcaro, ao financiamento eleitoral, afirmando que ele foi grande doador de campanhas bolsonaristas.
No mesmo fio, a ministra aponta Roberto Campos Neto, então presidente do Banco Central do Brasil (BC), e o Banco de Brasília (BRB), controlado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB-DF), como peças do que chama de “rede” que fechou os olhos para as irregularidades.
Para ela, a virada institucional ocorreu no governo Lula, com a investigação da Polícia Federal (PF) e a decisão do BC indicado pelo presidente Lula (PT) de liquidar o Master, encerrando a tentativa de empurrar a conta para “os outros”.
Dito isso, quando a PF fala em “compliance zero” e o bloqueio chega à casa de dezenas de bilhões, o recado é que o problema não é boato de rede social, é trilha de dinheiro e suspeita de fraude com potencial de contaminar confiança, mercado e regulação.
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