Ontem, às 19h, no Centro Cívico, o céu ainda estava claro mas numa sala do Palácio Iguaçu o tempo escureceu onde dois secretários de estado e um amigo deles, que serviu de testemunha, fizeram uma ligação internacional que alcançou o governador Ratinho Junior em Orlando, nos Estados Unidos, onde passa férias com a família. Na conversa de meia hora não foi citado o vídeo que se espalhou por todo o Paraná e onde o secretário Marcio Nunes, que junto com Sandro Alex defende a indicação de Guto Silva para disputar a sucessão, cutucou outro pré-candidato, o deputado e presidente da Assembleia Alexandre Curi, sobre a possibilidade de ele mudar de partido para concorrer ao governo. Os secretários foram claros ao dizer ao governador que tal manifestação confirma o que é consenso para a maioria dos deputados, prefeitos e o próprio secretariado: a coordenação da campanha de Guto está rachando o partido e isso pode ter uma consequência lógica – a vitória do principal adversário, o senador Sergio Moro, líder das pesquisas até agora. Ratinho também ouviu que, por isso, o afastamento dos dois da campanha é necessário. Mesmo porque é sabido que, se não houver mudança, é certo que outro fato para fortalecer a caminhada do ex-ministro pode vir à tona: a exposição de documentos que comprometeriam a candidatura de Guto Silva caso ele seja mesmo o escolhido. Alexandre Curi e Rafael Greca sustentam que não só estão ao lado do governador no grupo que detém o poder, mas também confirmam que o esfacelamento que se vislumbra pela maneira como vem sendo conduzida a campanha de Guto Silva, baseada na premissa de que é o preferido de Ratinho Junior, apesar do pífio desempenho nas pesquisas e no comportamento de seus defensores, podem sim levá-los a estudar as propostas que recebem de outros partidos para que disputem a eleição. Quando os secretários saíram do Palácio ontem à noite, o céu estava escurecendo, mas as luzes iluminaram a cidade. Ratinho Junior ouviu mais do que falou, ou seja, recebeu o recado para pensar bem.