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Tarcísio corre a Brasília sob pressão para soltar Bolsonaro
Tarcísio corre a Brasília sob pressão para soltar Bolsonaro
Por Administrador
Publicado em 11/02/2026 10:42
POLITICA
Tarcísio corre a Brasília sob pressão para soltar Bolsonaro

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desembarcou em Brasília nesta quarta (11) com agenda oficial de renegociação da dívida de São Paulo, mas o entorno bolsonarista lê a viagem como mais um capítulo da cobrança para que o mandatário entre em campo pela soltura de Jair Bolsonaro (PL).

O clã bolsonarista repete que Tarcísio deve o mandato ao aval de Jair Bolsonaro e sinaliza que pode rifar o governador na reeleição de outubro caso ele “abandone” o ex-presidente.

O roteiro prevê encontros separados com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes, com a pauta do Propag, programa federal de repactuação das dívidas estaduais com a União.

Agenda oficial: dívida, Propag e a liminar no STF

O Propag, instituído pela Lei Complementar nº 212/2025, foi desenhado para revisar contratos antigos e abrir caminho para descontos de juros e alongamento do pagamento, com prazo que pode chegar a 30 anos, segundo o Ministério da Fazenda e a Secretaria do Tesouro Nacional.

No caso paulista, o STF já entrou no enredo: decisão liminar do ministro André Mendonça, divulgada em 26 de janeiro de 2026, reconheceu efeitos de novos termos contratuais ligados à repactuação da dívida de São Paulo com a União, reforçando o pano de fundo político da peregrinação do governador ao Supremo.

O subtexto político: o “clã” cobra, Tarcísio calcula

Nos bastidores da direita, a cobrança é simples e brutal: Tarcísio tenta se vender como presidenciável, mas não pode parecer “herdeiro” sem o aval do líder que ainda comanda parte relevante do eleitorado conservador em São Paulo.

O problema para o governador é que Bolsonaro continua pesando no jogo. Condenado a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado, ele mantém influência sobre a base, e cada passo em Brasília vira sinal, seja de alinhamento político, seja de pressão por caminhos que reduzam a pena.

Tarcísio, portanto, pisa em terreno minado: precisa do bolsonarismo para manter musculatura eleitoral em São Paulo, mas também precisa reduzir o custo institucional de parecer que está fazendo romaria ao Supremo com objetivo extraoficial.

STF, anistia e o recado para 2026

A disputa não é só jurídica. Ela é eleitoral.

Nos últimos meses, reportagens do Blog do Esmael apontaram movimentos de Tarcísio em Brasília tentando abrir caminho para pautas associadas ao bolsonarismo, como a anistia ligada ao 8 de Janeiro, e isso ajuda a explicar por que qualquer visita ao centro do poder vira senha para interpretações políticas.

Se Tarcísio falhar em manter o bolsonarismo “por perto”, o risco não é apenas para um projeto nacional. É para a própria reeleição em São Paulo, onde a direita é competitiva, mas fragmentada, e onde o sobrenome Bolsonaro ainda pesa no voto e na militância.

O que esta viagem revela

A ida a Brasília mostra um governador tentando resolver um problema fiscal grande, com um problema político maior sentado no colo. O Propag é o crachá oficial, mas Bolsonaro é o elefante na sala.

Quem governa olhando para o Planalto costuma pagar pedágio em duas praças: na economia e na lealdade. Tarcísio foi a Brasília negociar a primeira, enquanto é cobrado pela segunda.

Continue acompanhando os bastidores da política .

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