A CPMI do INSS deixou de investigar apenas operadores periféricos e passou a alcançar o entorno imediato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Um requerimento de convocação coloca no centro das apurações Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia do parlamentar, apontada como elo direto com personagens centrais de um esquema bilionário de fraudes contra aposentados.
Letícia comanda a administração do escritório desde sua criação, em 2021, e é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, descrito nas investigações como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa.
Alexandre é apontado como contador do esquema e sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, figura-chave na engrenagem que desviou recursos por meio de descontos ilegais em benefícios previdenciários.
A CPMI também destaca que a administradora do escritório de Flávio Bolsonaro teria sido indicada por Willer Tomaz, advogado ligado politicamente ao senador e responsável por atuar na defesa de Alexandre.
O cruzamento de relações familiares, profissionais e jurídicas desmonta a narrativa de coincidência e reforça a suspeita de que o gabinete informal do senador orbitava personagens diretamente envolvidos nas fraudes.
O caso ganha contornos ainda mais graves ao se constatar que o escritório do parlamentar funciona no mesmo endereço de sua residência no Lago Sul, adquirida em operação financiada pelo Banco de Brasília (BRB), instituição igualmente citada nas investigações.
Para integrantes da CPMI, o acúmulo de conexões financeiras e patrimoniais expõe uma promiscuidade perigosa entre interesses privados, estruturas políticas e recursos públicos.
Paralelamente, a comissão avança sobre o sistema financeiro que sustentou o esquema.
A convocação do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a quebra de seus sigilos ocorreram após o INSS identificar irregularidades em centenas de milhares de contratos de empréstimo consignado, levando ao bloqueio de bilhões de reais em repasses.
Diante do avanço das investigações, Flávio Bolsonaro reage com o discurso previsível de perseguição política e tenta reduzir sua administradora a uma mera funcionária burocrática.
A linha defensiva, porém, não explica por que pessoas diretamente ligadas ao núcleo do esquema ocupavam posições estratégicas em sua estrutura privada.
O que a CPMI tenta esclarecer agora é se o escândalo do INSS foi apenas um negócio criminoso ou se contou com proteção política, trânsito institucional e silêncio conveniente.
As evidências reunidas até aqui indicam que o caso está longe de ser apenas técnico — e muito próximo do poder.
