Como transformar a juventude em jumentos de cargas adestrados, que diz sim senhor?
A militarização das escolas é uma das ideias mais estúpidas já inventadas como política educacional. Não é um projeto pedagógico, é bestialidade autoritária para emburrecer e não educar. Como diria Darcy Ribeiro, a crise da educação não é uma crise, é um projeto. Hoje, tocado a cabo pelo conservadorismo.
O vídeo que viralizou de um policial tentando se passar por "professor" no primeiro dia de aula e cometendo erros grotescos de grafia mostra a farsa do modelo que já começa fracassado.
Quando se coloca alguém treinado para obedecer ordens, repetir comandos e operar pela força para exercer um trabalho intelectual, o resultado é exatamente esse. É como colocar um jumento de carga para dar aula de filosofia e depois fingir surpresa porque só sai besteira. Força física, hierarquia cega e disciplina mecânica não produzem pensamento crítico, não produzem conhecimento e muito menos produzem educação. Produzem jumentos "adestrados" por jumentos para serem jumentos.
Militarizar escola é assumir que já desistiram de educar, substituindo pedagogia por adestramento, como fazem com animais cachorros, cavalos, burros, boi de carros... Confundem silêncio com aprendizagem, medo com respeito e obediência forçada com cidadania. O estudante não aprende mais, ele apenas repete o que tem que decorar com as exímias habilidades da língua de um papagaio.
O aluno não pode questionar, não pode debater, não pode criar. Ele aprende com o método "pedagógico" do "filósofo" da Rota Ostensiva Tobias de Aguiar (ROTA), que pensar é perigoso e que quem manda não precisa sequer saber escrever corretamente porque o que importa é a força, seus músculos que "com amor cultivou" e as armas letais.
Esse modelo emburrece é bestaliza a juventude de forma deliberada. Reduz a escola a um espaço de contenção social, não de formação. Em vez de ampliar horizontes, estreita. Em vez de estimular leitura, ciência, arte e reflexão, impõe ordem vazia, ritual e autoridade sem conteúdo. Formar jovens dóceis, "alienados" e incapazes de interpretar o mundo em que vivem é o sonho de qualquer projeto ditatorial de poder.
Ao mesmo tempo, esse modelo é uma humilhação aberta aos professores. Seria o mesmo que dizer que anos de formação acadêmica, pesquisa, didática e experiência em sala de aula não valem nada. Que o problema da educação não é falta de investimento, estrutura, salário, tempo pedagógico ou políticas sérias, mas sim excesso de professor e falta de farda. Isso resulta numa desmoralização calculada da docência e um ataque direto à ideia de educação como campo do conhecimento.
Não existe evidência séria de que militarização melhora aprendizado. Ao contrário, piora. O que melhora educação é professor valorizado, escola equipada, currículo sólido, biblioteca, laboratório, alimentação adequada e condições reais de ensino. Militarização só melhora estatística de aparência. Menos conflito visível, mais medo, menos denúncia, menos debate. O problema não some, só é empurrado para debaixo do tapete ao custo da alienação de uma geração inteira.
Esse projeto não é sobre educação, mas sim sobre controle. Sobre transformar escola em quartel e o aluno em recruta "cabeça de papel". Trata-se de formar uma geração que obedece sem questionar e aplaude ignorância como virtude. Quando erros básicos de português viram rotina em ambientes que deveriam ensinar, o recado é claro. O objetivo não é ensinar melhor, mas sim ensinar menos um conteúdo inteligente.
Militarizar escolas não salva a educação. Ela a rebaixa, a empobrece e a transforma em caricatura. Isso é a institucionalização da ignorância com uniforme, apito e discurso moralista cantando enfileirado à bandeira (por que não hino pra pneu?). Militarização das escolas é um fracasso anunciado, sustentado por ideologia e desprezo pelo conhecimento, o famoso anti-intelectualismo negacionista. Assim vai ser fácil mandar todo mundo beber cloroquina. Afinal, todas as crianças e adolescentes nasceram para ser "another brick in the wall".
