A presença da China na América do Sul deixou de ser projeção futura e passou a ser um fato concreto. Portos, ferrovias, energia, telecomunicações e financiamento de infraestrutura já contam com participação chinesa em países como Brasil, Argentina, Chile, Peru e Bolívia. Pequim não chegou com tanques nem ultimatos. Chegou com contratos, obras e crédito de longo prazo, algo que a região conhece bem… pela ausência histórica vinda do Norte.
Nos últimos anos, a China se consolidou como um dos principais parceiros comerciais de boa parte da América do Sul, ocupando espaços que antes eram dominados quase exclusivamente pelos Estados Unidos e pela Europa. Esse avanço não aconteceu por acaso. Ele responde a uma demanda real dos países sul-americanos por investimento, desenvolvimento e diversificação de parceiros, algo que Washington ignorou por décadas.
É justamente aí que entra o problema para Donald Trump. Mesmo com o discurso agressivo, promessas de conter Pequim e tentativas de reaproximação forçada com a região, os Estados Unidos não conseguem oferecer uma alternativa concreta à presença chinesa. Retórica não constrói estrada. Sanção não financia porto. Pressão política não substitui investimento real.
A China, por outro lado, atua com pragmatismo. Negocia com governos de diferentes espectros ideológicos, respeita prioridades nacionais e entrega obras que ficam. Isso explica por que sua influência cresce mesmo sob ataques constantes da diplomacia norte-americana. Não é uma disputa de narrativa. É uma disputa de resultados.
No fim das contas, a dificuldade de Washington em conter a China na América do Sul expõe algo maior: a mudança do eixo de poder global. A China não avança porque impõe. Avança porque constrói. E isso diz muito sobre quem, hoje, realmente tem capacidade de desenvolver países — e quem apenas tenta mandar neles.