O livro “O Médico e o Monstro”, escrito ainda em 1886 por Robert Louis Stevenson e adaptado com sucesso para o cinema reiteradas vezes, a partir da década de 1930, mais parece um prenúncio do cenário que acaba de ser revelado sobre o ensino médico brasileiro da atualidade.
É o que se conclui do resultado da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), cujo resultado ganhou contornos de “caso de polícia” dado o pífio desempenho de 30% das instituições que ofertam o curso mais nobre do ensino superior brasileiro.
De acordo com a própria medicina, uma das práticas mais efetivas para garantir a saúde humana é a prevenção, mas é justamente isso que faltou ao Ministério da Educação desde que novos cursos começaram a ser autorizados em profusão Brasil afora.
Sabe-se que sempre que há um pedido formal de instalação de um novo curso superior da área de saúde a instituição passa pela avaliação de uma equipe técnica vinda de Brasília e encarregada de dar um parecer, seja pela aprovação ou pela desaprovação.
E esse trabalho sempre é baseado em critérios técnicos, mas daí em diante é que acontece a “mágica”, também chamada de “jeitinho brasileiro”, que faz com que decisões técnicas sejam suplantadas por decisões meramente políticas, de forma a favorecer os amigos dos governantes de plantão.
“Observamos a criação indiscriminada de escolas médicas no País sem critérios técnicos mínimos, o que afeta a qualidade do preparo dos futuros profissionais de medicina”, denunciou o CFM (Conselho Federal de Medicina) ainda em 2024, quando o País ultrapassou a marca de 575 mil médicos ativos, ou 2,81 para cada mil habitantes – nem EUA, Japão e China tinham isso à época.
Aí está a explicação para tamanho descalabro. É triste, frustrante e revoltante saber que estão empurrando nossa medicina para a UTI e muitos pacientes prematuramente para o cemitério. Algo precisa ser feito, e com urgência!
Em tempo: no Paraná, só foram reprovados pelo exame do MEC os cursos de Medicina da Unila de Foz do Iguaçu, da Unipar de Umuarama e da Uningá de Maringá, todos com nota 2 de 5 possíveis. Os demais obtiveram os seguintes desempenhos:
Nota 5 – UEPG, UEM, UFPR Toledo, Positivo de Curitiba, Unicentro de Guarapuava e Pequeno Príncipe de Curitiba.
Nota 4 – Unioeste de Cascavel e Francisco Beltrão, FAG de Cascavel, Fampar de Curitiba, Unicesumar de Maringá e Campo Real de Guarapuava.
Nota 3 – PUC de Curitiba, Centro Integrado de Campo Mourão e Unidep de Pato Branco. (Imagem: Reprodução)
