Influenciadores com milhões de seguidores foram pagos com milhões de reais para atacar instituições, servidores públicos e jornalistas envolvidos nas investigações sobre as falcatruas do Banco Master e Daniel Vorcaro, naquilo que vem sendo chamado de o novo "Gabinete do Ódio". Isso não é apenas um detalhe do escândalo e, ao mesmo tempo, indica a lama que será a campanha eleitoral deste ano.
Investigações da imprensa apontaram nomes de agências que teriam intermediado o aluguel desses influenciadores. A ideia era tão sórdida quanto genial: ao invés de bancar influenciadores de economia política, muitas vezes chatos de galocha, o seu arquiteto criminoso foi atrás de nomes voltados ao entretenimento.
Com isso, tentou construir as bases de uma dúvida razoável sobre as investigações contra o Master na população em geral.
Vale lembrar que as maracutaias do banco parecem último capítulo de novela, quando todo mundo resolve aparecer junto de uma vez. Envolvem parlamentares do centrão, governadores de estados e do Distrito Federal, ministro do Supremo Tribunal Federal, ministro do Tribunal de Contas da União, gente da Faria Lima crescida no leite de pera. E se chafurdar pega gente da direita à esquerda porque Vorcaro tinha muito$ amigo$.
Se a Polícia Federal foi capaz de descobrir relações entre Vorcaro e as gestoras Reag e Trustee DTVM, alvos da Operação Carbono Oculto (que analisa a relação de atores da Faria Lima com lavagem de grana para o PCC), não terá dificuldade de apontar os responsáveis por pagar os influenciadores. A prisão preventiva dos responsáveis por isso ajudaria as investigações sobre o banco podre e seus aliados políticos e econômicos.
O termo "Gabinete do Ódio" era usado originalmente para se referir à estrutura criada durante o governo Jair Bolsonaro, e que operou dentro do Palácio do Planalto, para atacar e difamar via redes sociais os políticos e jornalistas vistos como entraves às necessidades do grupo político. Hoje, é um modelo de atuação, visto como exitoso. A menos, claro, que você seja descoberto.
Venho repetindo neste espaço, há 10 anos, a facilidade com a qual o dinheiro pesado é usado para atacar servidores públicos que fazem o seu dever e jornalistas nas redes sociais. O caso dos influenciadores do Master, não é a primeira vez que isso acontece, nem será a última.
Por exemplo, em 2016, uma investigação com autorização da Justiça revelou que uma campanha falsa de difamação contra mim foi tocada por uma agência digital que atuava para uma grande multinacional. O motivo seria minha atuação na denúncia de trabalho escravo e no desmatamento ilegal. Acabei sendo agredido e espancado na rua e mentiras são repetidas até hoje. Porque a internet tem cauda longa.
Por exemplo, em 2016, uma investigação com autorização da Justiça revelou que uma campanha falsa de difamação contra mim foi tocada por uma agência digital que atuava para uma grande multinacional. O motivo seria minha atuação na denúncia de trabalho escravo e no desmatamento ilegal. Acabei sendo agredido e espancado na rua e mentiras são repetidas até hoje. Porque a internet tem cauda longa.
Dez anos atrás, alertei que este tipo de ataque se tornaria parte do cotidiano, o que de fato aconteceu. Não tenha dúvida nenhuma que esse modelo será usado largamente nas eleições gerais deste ano. O pagamento de pessoas famosas para atacarem outras não é novidade, a novidade é a estrutura centralizada, com agência que contratam rapidamente influenciadores para difundir uma única mensagem. Inception, como diria o Leonardo DiCaprio.
Muitas pessoas apontam que o uso indiscriminado de inteligência artificial generativa, principalmente na produção de vídeos e áudios que reproduzem fielmente a realidade, irá confundir eleitores. Não tenho dúvidas disso. Mas, da mesma forma, influenciadores criminosos também farão esse serviço.
Descobrir quem foram os do Banco Master e punir que financiou e quem recebeu o dinheiro pode ajudar, portanto, as eleições de outubro serem um pouco menos sombrias do que as nuvens escuras no horizonte indicam.