Nesse cenário, os movimentos de Guto Silva, Alexandre Curi e Rafael Greca ganham ainda mais relevância. Nos bastidores da política paranaense, é praticamente consenso que o governador tem um nome preferido: seu amigo de longa data e atual secretário das Cidades, Guto Silva.
O desafio de Ratinho, no entanto, tem sido encontrar o argumento político capaz de viabilizar essa escolha sem criar fissuras na base que sustenta o governo. No início das conversas sobre a sucessão, Ratinho afirmava que o critério para definir o candidato seria objetivo: o desempenho nas pesquisas. Se essa regra prevalecesse, Rafael Greca largaria na frente. Ex-prefeito de Curitiba e figura amplamente conhecida no estado, ele aparece com os melhores índices de recall e intenção de voto nas sondagens que circulam tanto nos meios de comunicação e nos bastidores políticos.
Mais recentemente, porém, o governador mudou um pouco o discurso. Em entrevistas, ele tem afirmado que a decisão será tomada “ouvindo prefeitos, deputados e a sociedade civil”. Sendo esse o critério predominante, o cenário se altera, mas não em favor de Guto. Nesse campo, Alexandre Curi desponta como o nome mais competitivo. Presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, ele construiu ao longo de anos uma sólida rede de articulação política no interior do estado. Hoje reúne o apoio de mais de 200 prefeitos e conta também com respaldo expressivo entre deputados estaduais e federais e dirigentes partidários.
E aí vem a pergunta: qual será, afinal, o parâmetro decisivo para a escolha do governador? As pesquisas, a força política junto às lideranças ou a relação de confiança pessoal. Se Ratinho optar por bancar a candidatura de Guto Silva, será pelo critério da confiança? O secretário não lidera as pesquisas, nem figura como favorito entre prefeitos e parlamentares. Sua principal sustentação política parece ser o fato de estar no círculo mais próximo do governador. Mas isso basta?
Os que estão fora desse círculo cobram coerência entre discurso e decisão. E dizem que essa coerência costuma pesar tanto quanto a própria escolha.