Agronegócio: dispositivo detecta incêndios em secadores de grãos
Agronegócio: dispositivo detecta incêndios em secadores de grãos
Por Administrador
Publicado em 01/04/2025 12:00
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O agora Doutor pela Unioeste, o bombeiro militar Luís Eduardo Zarpellon desenvolveu um dispositivo de detecção de incêndios em secadores de grãos com uso da inteligência artificial em sua pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Engenharia Química do campus de Toledo.

Zarpellon percebeu um alto índice de incêndios em secadores de grãos na região e, a partir disso, buscou entender os motivos de tantos incêndios nestes equipamentos. "O trabalho preventivo é necessário para não haver incêndios, mesmo assim durante o processo de secagem existe uma probabilidade muito grande desses incidentes ocorrerem. A maioria dos secadores trabalha com transferência direta de calor das fornalhas até a coluna de secagem de grãos, então a possibilidade de incêndios é muito alta. Daí surgiu a necessidade de pesquisar e criar um novo dispositivo que detecte incêndios ainda em fase incipiente", explica ele.

Os incêndios em secadores de grãos podem fazer com que tanto o equipamento quanto os insumos sejam perdidos. Segundo Zarpellon, no momento da percepção do incêndio ele já pode estar em uma fase avançada, sendo muito difícil de apagar. Com isso, verificou-se a necessidade de um dispositivo que detecte os incêndios logo no início.

Para o desenvolvimento da pesquisa foi construído um secador em escala reduzida e um sistema inovador de Rede Neural Artificial. "Foram instalados sensores de temperatura e umidade de grãos, de secagem e de condições atmosféricas, de concentração de gases, nível de grãos e velocidade de descarga, todos interligados através de uma Rede Neural. A inteligência processa todos esses dados e diz se os padrões de secagem estão dentro da normalidade ou se há alguma variação para indicar um princípio de incêndio", detalha Zarpellon.

A Rede Neural foi programada através de um algoritmo em linguagem Phyton e começou a apontar a detecção precoce de incêndios induzidos. Em um segundo momento, Zarpellon conta que em 2023, já em escala industrial, o dispositivo foi instalado em um secador real para fazer o monitoramento por alguns meses. "Tivemos a oportunidade de ter dois incêndios reais durante a fase de testes, e o equipamento respondeu satisfatoriamente nessas condições. Houve, portanto, a validação do dispositivo, comprovando que ele realmente funciona", revela ele, que teve como orientador no Doutorado o professor Camilo Freddy Mendoza Morejon.

A expectativa de Zarpellon é que, com o tempo e por meio da parceria Universidade-Empresa (nos moldes da Lei de Inovação do Brasil), a tecnologia seja aprimorada e se torne acessível a um número grande de agroindústrias, potencializando a segurança em todo o processo de armazenamento de grãos e garantindo uma maior confiança na produção agrícola nacional. (Foto: Divulgação)

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