A Contradição, incoerência do Agro.
Associação Brasileira do Agronegócio, ABAG, pediu que autoridades locais e federais ampliem os investimentos em prevenção e resposta a eventos climáticos extremos após temporais que atingiram o interior de São Paulo e o Rio Grande do Sul.
A manifestação veio depois dos danos provocados por chuvas fortes em Ribeirão Preto e em outras cidades do Nordeste paulista, com destruição de imóveis, feridos, uma morte e prejuízos a lavouras de cana-de-açúcar, frutas, soja e milho.
A entidade também manifestou solidariedade a produtores rurais gaúchos afetados pelas chuvas recentes e alertou para riscos à produção de alimentos, biocombustíveis e exportações agrícolas.
O pedido por prevenção é importante. Eventos extremos estão ficando mais frequentes e intensos, e a preparação precisa envolver Defesa Civil, planejamento territorial, infraestrutura, seguros, crédito, monitoramento climático e apoio a populações vulneráveis.
Mas a reportagem de ((o))eco lembra uma contradição relevante: a mesma associação assinou carta pedindo a sanção integral do PL do Licenciamento Ambiental, criticado por ambientalistas como um dos maiores retrocessos da legislação ambiental brasileira.
O texto flexibiliza e isenta atividades do licenciamento, incluindo partes importantes do setor agropecuário, e hoje é questionado no STF por ações diretas de inconstitucionalidade.
Prevenir desastres climáticos não é apenas responder depois que a enchente, o temporal ou a seca acontecem.
Prevenção também significa proteger vegetação nativa, conservar solos e nascentes, evitar ocupação de áreas de risco, respeitar limites ambientais e manter instrumentos de controle capazes de reduzir impactos antes que eles virem tragédia.
Não existe adaptação climática séria com fragilização ambiental.
