A esquerda paranaense realiza neste sábado, 25 de julho, votações que podem transformar a articulação liderada por Requião Filho (PDT) em aliança federativa, mas a composição permanece aberta na segunda vaga ao Senado, na vice e nas suplências. As decisões partidárias ainda dependerão das resoluções e atas das federações.
A Federação PSOL-Rede reúne suas instâncias a partir das 9 horas e realiza a convenção conjunta às 11 horas, na Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário do Estado do Paraná (Fetraconspar), em Curitiba. A Federação Brasil da Esperança, formada por Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e Partido Verde (PV), está convocada para as 16 horas, em ambiente virtual.
A agenda publicada pelo PT do Paraná separa duas etapas. As convenções deste sábado deliberam sobre candidaturas e alianças, enquanto o ato político conjunto para oficializar o apoio a Requião Filho está previsto para 5 de agosto, último dia do prazo legal das convenções partidárias.
Essa divisão impede tratar uma manifestação isolada como decisão de toda a federação. PT, PCdoB e PV atuam eleitoralmente como uma única agremiação, assim como PSOL e Rede. A resolução federativa e a ata registrada terão mais peso jurídico do que declarações individuais feitas antes das votações.
O PV já aprovou, em 20 de julho, o apoio a Requião Filho para o Governo do Paraná e a Gleisi Hoffmann (PT-PR) para uma das duas vagas ao Senado. O partido concentrou seus nomes nas eleições proporcionais e não indicou candidato próprio para a segunda cadeira.
A decisão verde abriu espaço para Dr. Rosinha (PT), mas não encerrou a disputa. O PSOL apresentou em maio a pré-candidatura da ativista Renata Borges ao Senado, vinculada à pauta ambiental e de direitos humanos. A convenção deste sábado mostrará se esse nome será mantido, negociado ou deslocado pela montagem final da chapa.
A Federação PSOL-Rede também informou que Aldair Rizzi, da Rede Sustentabilidade, e Jorge Bernardi, presidente estadual da federação, foram indicados para participar das negociações da chapa majoritária. O comunicado não define qual cargo caberia a cada um. Sem resolução específica, não é possível atribuir a eles a vice, o Senado ou uma suplência.
Gleisi aparece como o ponto mais consolidado da composição senatorial. A incógnita está no segundo voto do eleitor progressista. Dr. Rosinha representa a tentativa do PT de formar uma dobradinha própria; Renata Borges oferece ao PSOL espaço na chapa majoritária e impede que a federação seja reduzida a fornecedora de candidatos proporcionais.
A escolha tem consequência eleitoral direta. Em 4 de outubro, cada paranaense poderá votar em dois candidatos ao Senado. Uma frente que lance somente Gleisi deixará o segundo voto disponível para adversários. Uma chapa com dois nomes competitivos poderá pedir voto casado, mas exigirá acordo entre partidos que também disputam recursos, tempo de propaganda e presença territorial.
Vice-governador e suplências continuam pendentes. Esses lugares podem acomodar a Federação PSOL-Rede, atrair outra legenda ou ampliar a presença regional da chapa. O Partido Socialista Brasileiro (PSB), procurado durante a montagem da frente, ainda precisa formalizar se participará da coligação liderada por Requião Filho.
O mapa documental começa com o PV favorável a Requião Filho e Gleisi. As votações deste sábado deverão esclarecer a posição das duas federações, o destino da segunda candidatura ao Senado e os pontos que serão remetidos ao fechamento de 5 de agosto.
Apoio aprovado em reunião partidária não equivale, isoladamente, a decisão federativa. Convenção também não substitui o pedido de registro perante a Justiça Eleitoral. A chapa somente estará juridicamente concluída depois das atas, resoluções e registros correspondentes.