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Gleisi diz que acionistas ganharam R$ 5,87 bi da Copel
Por Administrador
Publicado em 25/07/2026 15:07
POLITICA
Gleisi diz que acionistas ganharam R$ 5,87 bi da Copel

A deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT-PR) afirmou nesta quinta-feira, 23 de julho, que a Companhia Paranaense de Energia (Copel) distribuiu “R$ 5,87 bilhões” em dividendos e juros sobre capital próprio desde a privatização. Segundo a parlamentar, o montante seria “89,5% superior” ao valor recebido pelo governo Ratinho Junior (PSD) com a venda de ações da companhia.

“Venderam a Copel, um dos maiores orgulhos dos paranaenses, dizendo que era um grande negócio para o Estado. A verdade é que a privatização foi ótima para os acionistas e péssima para a população”, declarou Gleisi.

O levantamento apresentado pela deputada compara os proventos destinados ao conjunto dos acionistas com os recursos obtidos pelo governo paranaense na oferta pública realizada em agosto de 2023. Na época, o Estado perdeu o controle da empresa, reduziu sua participação acionária e preservou uma ação especial com poderes limitados de veto.

Documentos do governo mostram que a alienação depositou cerca de “R$ 3,1 bilhões” em uma conta específica do Estado. A página de relações com investidores da Copel registra sucessivas distribuições de dividendos e juros sobre capital próprio nos exercícios seguintes à mudança de controle.

A comparação usada por Gleisi sustenta o principal conflito político aberto pela privatização: enquanto a remuneração dos acionistas cresceu, consumidores passaram a reclamar do preço da energia, da duração das interrupções e da demora no restabelecimento do serviço.

“Em junho, a Copel aumentou a tarifa em mais de 20%, uma coisa absurda. A população e o setor produtivo do Paraná estão enfrentando reajustes abusivos, demora no atendimento, precarização nos serviços e apagões prolongados que causam prejuízos às famílias, aos produtores rurais, granjas, piscicultura e indústrias”, afirmou.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou em 23 de junho a revisão tarifária da Copel Distribuição, aplicada desde 24 de junho. O efeito médio homologado para os consumidores foi de “20,51%”, conforme já noticiou o Blog do Esmael. O índice médio ficou em “19,85%” na baixa tensão e em “21,87%” na alta tensão.

A definição da tarifa passa pela Aneel e inclui custos de compra e transmissão de energia, encargos setoriais e componentes financeiros. Gleisi, porém, relaciona o reajuste ao resultado político da privatização, cuja defesa foi baseada em promessas de maior eficiência, capacidade de investimento e melhoria do atendimento.

A deputada também citou o desempenho da distribuidora no ranking de continuidade do fornecimento. Segundo ela, a Copel apareceu na “27ª posição entre 33 empresas de grande porte” na classificação nacional divulgada pela Aneel.

O índice considera a frequência e a duração das interrupções. Para Gleisi, a posição reforça a contradição entre os benefícios prometidos pelo governo estadual e a experiência relatada por consumidores, produtores rurais e empresas dependentes de fornecimento contínuo.

A disputa alcançou diretamente a eleição de 2026. Gleisi relembrou que o projeto enviado por Ratinho Junior à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) chegou em 21 de novembro de 2022, sob regime de urgência, e teve a votação concluída três dias depois.

No segundo turno, a autorização para a privatização recebeu “35 votos favoráveis e 13 contrários”. A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) votou contra. Deputados do Partido Liberal (PL) presentes na sessão apoiaram o projeto do governo estadual.

“Uma decisão desse tamanho foi aprovada em três dias. O PL de Bolsonaro apoiou a entrega do controle da Copel. Agora o partido do candidato Sergio Moro e seus representantes precisam responder por essa escolha”, declarou Gleisi.

A parlamentar transforma a privatização em linha divisória na disputa pelas duas vagas do Paraná no Senado. A cobrança mira simultaneamente Ratinho Junior, responsável pela operação, e o PL, que forneceu votos para aprovar a proposta e agora abriga Sergio Moro.

O embate deve acompanhar a campanha porque alcança uma despesa mensal de milhões de famílias e o custo de produção da indústria, do comércio e do agronegócio. Para Gleisi, os dividendos, a tarifa e os indicadores de continuidade formam o saldo político de uma operação vendida pelo governo como modernização da Copel.

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