Pesquisa Radar Inteligência divulgada em 22 de junho aponta Sandro Alex (PSD) com 33,4% e Sergio Moro (PL) com 32,6% na disputa pelo governo do Paraná entre eleitores de Ponta Grossa; a diferença de 0,8 ponto está dentro da margem de erro, mas dá ao candidato de Ratinho Junior um fato político no reduto dos Campos Gerais.
O chamado DataTraiano entregou o número que o Palácio Iguaçu queria ver e que Sergio Moro não queria explicar: Sandro Alex (PSD), candidato apoiado pelo governador Ratinho Junior (PSD), aparece numericamente à frente do senador do PL na corrida pelo governo do Paraná em Ponta Grossa.
A pesquisa Radar Inteligência, contratada pelo Grupo D’Ponta e divulgada nesta segunda-feira (22), aponta Sandro Alex com 33,4% das intenções de voto no cenário estimulado. Sergio Moro registra 32,6%. A vantagem é de apenas 0,8 ponto percentual, portanto os dois estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais.
O dado não autoriza dizer que Sandro Alex virou a eleição estadual. O levantamento ouviu 625 eleitores de Ponta Grossa nos dias 18 e 19 de junho, com nível de confiança de 95%, e mede o humor político de uma cidade, não de todo o Paraná. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número PR-01667/2026.
Não é de somenos que o município de Ponta Grossa é adminstrado pela prefeita Elizabeth Schmidt, principal aliada de Moro. Na próxima quinta-feira (25), ela promete migrar do União Brasil para o PL, a mesma agremiação do ex-juiz.
A consequência política está no endereço. Ponta Grossa é a base eleitoral de Sandro Alex e funciona como vitrine regional dos Campos Gerais. Se o candidato de Ratinho Junior não abrisse vantagem nem em casa, a tese governista ficaria ferida antes das convenções partidárias. Como apareceu à frente, mesmo em empate técnico, o Palácio Iguaçu ganha argumento para pressionar aliados, prefeitos e partidos que ainda calculam o tamanho real da candidatura do PSD.
O placar completo mostra Requião Filho (PDT) com 11%, Rafael Greca (MDB) com 7,7%, Tony Garcia (DC) com 0,8% e Luiz França (Missão) com 0,5%. Brancos e nulos somam 8%, e 5,9% dos entrevistados não souberam ou não responderam.
O levantamento também mostra disputa territorial dentro da cidade. Sandro Alex lidera em sete das 13 regiões pesquisadas, com desempenho mais forte na Colônia Dona Luiza, Uvaranas, Oficinas, Contorno, Ronda, Boa Vista e Olarias. Sergio Moro tem seus melhores índices no Jardim Carvalho, Nova Rússia, Órfãs, Chapada, Neves e Centro.
Na rejeição, Requião Filho aparece com o maior índice, 33,1%, segundo o D’Ponta News. Sergio Moro tem 21,1%, e Sandro Alex registra 15,8%. Esse dado importa porque rejeição alta limita crescimento, encarece aliança e obriga campanha a gastar tempo explicando resistência antes de disputar voto útil.
As simulações de segundo turno reforçam a leitura do Palácio Iguaçu, mas também exigem cuidado metodológico. Contra Requião Filho, apresentado com apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Sandro Alex chega a 58,6%, contra 20,5% do pedetista. Contra Sergio Moro, apresentado com apoio de Flávio Bolsonaro (PL), Sandro Alex aparece com 45,8%, contra 37,3% do senador.
ponto sensível para Sergio Moro é a transferência de imagem. O ex-juiz tenta nacionalizar a candidatura com o bolsonarismo, mas o DataTraiano sugere que, em Ponta Grossa, o apoio de Flávio Bolsonaro não resolve automaticamente a disputa contra a máquina estadual de Ratinho Junior. O dado não elimina a força estadual de Sergio Moro, mas mostra uma fissura local no discurso de favoritismo.
O ponto sensível para Sandro Alex é o inverso. O resultado mostra força no reduto, mas ainda não prova capilaridade estadual. Pesquisas estaduais divulgadas em junho colocaram Sergio Moro à frente no Paraná, enquanto Sandro Alex aparecia em patamar inferior quando o eleitor não recebia a informação do apoio de Ratinho Junior. A candidatura do PSD, portanto, depende de transformar a estrutura do governo em voto fora dos Campos Gerais.
Requião Filho e Rafael Greca ficam no terceiro e quarto lugares em Ponta Grossa, mas por razões diferentes. O pedetista tenta carregar a marca lulista, porém o eleitor ainda não tomou conhecido por completo desse alinhamento. Greca tenta ocupar o centro, mas ainda aparece distante dos dois polos que organizam a disputa local: o governismo de Ratinho Junior e o lavajatismo bolsonarista de Sergio Moro.
A pesquisa também reorganiza a conversa dentro da base governista. Ratinho Junior precisa entregar um sucessor competitivo depois de dois mandatos no Palácio Iguaçu. Sandro Alex precisa provar que não é apenas candidato de gabinete. O DataTraiano deu ao PSD um número para mostrar na mesa, mas também aumentou a cobrança: quem lidera em casa precisa crescer fora dela.
Para Sergio Moro, a notícia é desconfortável porque corta a narrativa de inevitabilidade. O senador segue forte no Paraná, mas foi alcançado pelo candidato do governador justamente em uma cidade usada como termômetro dos Campos Gerais. Em eleição majoritária, empate técnico também produz efeito político quando muda a manchete, altera a conversa dos aliados e desloca a pressão para o adversário.
A disputa pelo governo do Paraná entra, assim, em uma fase menos abstrata. Sandro Alex aparece numericamente à frente de Sergio Moro em Ponta Grossa. Sergio Moro ainda tem pesquisas estaduais favoráveis. Requião Filho tenta consolidar o campo lulista. Greca busca espaço no centro. O eleitor, por enquanto, vê uma briga que deixou de ser apenas sobre intenção de voto e passou a ser também sobre quem controla a máquina, o território e o palanque de 2026.
Ponta Grossa não entra nessa pesquisa como município qualquer. A cidade tem população estimada em 375.632 habitantes, eleitorado na casa de 260 mil votantes e fica a pouco mais de 100 quilômetros de Curitiba, no eixo rodoviário da BR-376. É o quarto municípo mais populoso do Paraná, que combina peso eleitoral, força econômica regional e influência política nos Campos Gerais. Por isso, o empate técnico com Sandro Alex numericamente à frente de Sergio Moro não é apenas um retrato local: é um sinal de disputa por território em um dos principais colégios eleitorais do interior do estado.