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Pesquisa joga Master no palanque de Flávio Bolsonaro
Pesquisa joga Master no palanque de Flávio Bolsonaro
Por Administrador
Publicado em 28/05/2026 16:18
POLITICA
Pesquisa joga Master no palanque de Flávio Bolsonaro

O presidente Lula (PT) abriu 46,5% a 41,4% contra Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em cenário de segundo turno na pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quinta-feira (28), no mesmo momento em que o caso Master chega ao palanque da direita em Curitiba e coloca Sergio Moro (PL) diante de uma cobrança incômoda sobre o aliado nacional.

O levantamento ouviu 1.500 eleitores por telefone entre sábado (23) e quarta-feira (27), tem margem de erro de 2,5 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-02918/2026.

A diferença de 5,1 pontos não fecha a eleição, mas altera o ambiente político. Flávio Bolsonaro vinha aparecendo colado em Lula no segundo turno. Agora, o petista passa à frente no confronto direto, enquanto o senador tenta conter o desgaste provocado pelo áudio ligado ao Banco Master.

A pesquisa não afirma crime nem substitui investigação. Ela mede opinião pública. Nesse terreno, o estrago para Flávio Bolsonaro é real: 44% dos entrevistados disseram que a imagem do senador piorou depois do episódio envolvendo Daniel Vorcaro e o pedido de dinheiro para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.

Outros 30,8% afirmaram que nada mudou, 14,5% disseram que a imagem melhorou e 10,7% não souberam responder. Para uma candidatura que depende de voto conservador urbano, centro-direita e eleitor de renda mais alta, a piora de imagem chega em grupos que podem decidir uma disputa apertada.

O dado mais duro para o bolsonarismo está na contradição moral. Segundo o Meio/Ideia, 45% concordam que o caso contradiz o discurso de combate à corrupção de Flávio Bolsonaro. Outros 22% discordam, 24% não concordam nem discordam e 9% não sabem.

É aí que a pesquisa atravessa o Paraná. Moro construiu sua carreira política com a bandeira anticorrupção da Lava Jato. Ao dividir palanque com Flávio Bolsonaro em Curitiba, o ex-juiz terá de explicar se trata o caso Master como ataque adversário, assunto encerrado ou problema ético para a direita.

O levantamento mostra que a versão defensiva de Flávio Bolsonaro não se impôs. Quando perguntados se acreditam que o episódio foi apenas um patrocínio privado, sem ilegalidade, 40,6% discordaram. Outros 33,4% concordaram, 19% ficaram no meio e 7% não souberam responder.

cobrança por apuração também ganhou corpo. A pesquisa aponta que 57% concordam com a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master e suas ligações políticas. Outros 48% defendem investigação aprofundada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Lula não aparece em cenário confortável por causa do governo. A mesma pesquisa registra 51,4% de desaprovação à sua gestão, contra 46,6% de aprovação. Na economia, 45,6% avaliam o governo de forma negativa, enquanto 28,8% fazem avaliação positiva.

Esse contraste explica o tamanho do problema da oposição. Havia espaço para atacar Lula por custo de vida, segurança pública, saúde e economia. O caso Master desloca o debate para dinheiro privado, Banco Master, CPI e coerência do discurso anticorrupção.

No primeiro turno estimulado, Lula aparece com 38,5%, Flávio Bolsonaro com 31,5%, Ronaldo Caiado com 5,5%, Romeu Zema com 2,4% e Renan Santos com 2,1%. Na espontânea, Lula tem 33%, Flávio Bolsonaro marca 18,7% e 24,5% ainda não sabem em quem votar.

O Sul continua sendo a principal fortaleza regional de Flávio Bolsonaro. No recorte da pesquisa, ele lidera Lula por 52,3% a 34,1%. Esse dado explica a aposta da direita em Curitiba, mas não elimina o desgaste nacional medido pelo levantamento.

O problema para Flávio Bolsonaro está fora da direita mais fiel. O próprio relatório aponta queda entre jovens, centro-direita e eleitores com renda acima de cinco salários mínimos. São segmentos menos automáticos, mais sensíveis a custo reputacional e decisivos em eleição decidida voto a voto.

A direita paranaense queria transformar o ato em Curitiba em demonstração de força. A pesquisa entregou outro roteiro: Lula aparece à frente, Flávio Bolsonaro chega ferido pelo caso Master e Moro passa a carregar uma pergunta que toca sua própria biografia política.

O palanque pode até produzir foto de unidade, mas a eleição cobra coerência antes do voto.

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