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PF arrasta Master para a aposentadoria do servidor
PF arrasta Master para a aposentadoria do servidor
Por Administrador
Publicado em 26/05/2026 13:48
POLITICA
PF arrasta Master para a aposentadoria do servidor

A Polícia Federal (PF) abriu nesta terça-feira (26) uma nova frente da crise do Banco Master ao deflagrar a 8ª fase da Operação Compliance Zero para apurar aplicações de cerca de R$ 3 bilhões do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) em papéis e fundos ligados a banco privado, num caso que agora toca aposentadorias de servidores, risco financeiro público e o desgaste político do PL.

A nota oficial da PF informa que dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em Brasília, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação mira possível prática de crimes financeiros no âmbito do Rioprevidência, fundo responsável por aposentadorias e pensões de servidores fluminenses.

O ponto novo está no tamanho da conta. A PF afirma que a Operação Barco de Papel já havia identificado aportes suspeitos de cerca de R$ 970 milhões em letras financeiras de banco privado, entre outubro de 2023 e julho de 2024. Nesta nova fase, os investigadores apuram mais R$ 2,01 bilhões aplicados em fundos do mesmo banco, a partir de julho de 2024.

A PF não citou o nome da instituição financeira na nota pública. O Blog do Esmael que acompanha o caso, porém, registrara que a apuração envolve o Banco Master e que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ) está entre os alvos da operação. Esse limite importa: a investigação ainda apura responsabilidades, e busca não é condenação.

O caso saiu do áudio de Flávio Bolsonaro e entrou no dinheiro da aposentadoria de servidor. A diferença política é pesada. Uma coisa é explicar conversa com Daniel Vorcaro sobre financiamento de filme ligado à memória de Jair Bolsonaro. Outra é ver o mesmo ecossistema Master aparecer em investigação sobre recursos previdenciários de trabalhadores públicos.

Servidor, aposentado e pensionista entendem o risco sem precisar de linguagem de mercado. Fundo previdenciário não é cofrinho de aposta. Quando dinheiro público de aposentadoria entra em aplicação suspeita, a pergunta muda: quem autorizou, quem ganhou, quem fiscalizou e quem paga se a operação der prejuízo.

É nesse ponto que o problema alcança o PL. Cláudio Castro pertence ao mesmo partido que abriga Flávio Bolsonaro, Sergio Moro e Filipe Barros. A PF não transformou o PL em alvo partidário da operação, mas a sequência de fatos colocou figuras da legenda no centro da disputa pública sobre o Master.

No Paraná, a nova fase da Compliance Zero chega em hora incômoda para a direita. O Blog do Esmael mostrou que Flávio Bolsonaro desembarca em Curitiba na sexta-feira (29) para dividir palanque com Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL), em ato marcado para o Jockey Club do Paraná, no White Hall Eventos.

O evento já carregava o peso da relação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro. Agora, a pergunta ficou mais dura: Moro, Deltan e Filipe Barros vão tratar a expansão do caso Master como assunto distante do Paraná ou vão explicar ao eleitor conservador por que o escândalo alcançou também dinheiro de previdência pública?

Moro não é investigado nesse caso. Deltan não é investigado nesse caso. Filipe Barros não é investigado nessa fase. O ponto político é outro: os três decidiram dividir palanque com Flávio Bolsonaro no momento em que o Master deixou de ser apenas ruído de campanha e passou a aparecer associado, em investigação federal, a aplicações bilionárias de um fundo previdenciário.

Filipe Barros já havia sido cobrado no caso Master por causa de projeto ligado ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como registrou o Blog do Esmael em março. Na ocasião, a discussão envolvia a tentativa de ampliar proteção a determinados investimentos. Agora, a Previdência do Rio coloca outra camada no debate: o que acontece quando o risco não é do investidor privado, mas do servidor público.

A direita paranaense tentará transformar o ato de sexta-feira em demonstração de força. O campo governista tentará colar a imagem do PL ao Master. Entre as duas operações políticas, existe um dado concreto: a PF afirma que cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência estão sob investigação.

O desgaste não nasce de slogan adversário. Nasce de mandado judicial, operação federal, dinheiro previdenciário e sigla partidária repetida em personagens de peso. Para Moro, Deltan e Filipe Barros, subir no palanque com Flávio Bolsonaro virou uma escolha com recibo político.

A Compliance Zero ampliou a crise porque levou o Master para o terreno mais sensível da vida pública: aposentadoria de servidor. Se a direita paranaense quiser fazer de Curitiba uma vitrine nacional do PL, terá de explicar por que o banco que ronda a campanha também chegou ao dinheiro de quem trabalhou a vida inteira.

Rioprevidência.

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