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Aécio dá palanque tucano a Richa no Paraná
Aécio dá palanque tucano a Richa no Paraná
Por Administrador
Publicado em 26/05/2026 09:11
POLITICA
Aécio dá palanque tucano a Richa no Paraná

O PSDB-SP apoiou no início da semana uma possível pré-candidatura do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência da República, num gesto que amplia a fragmentação da direita, complica o discurso da terceira via e reduz o espaço de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome único contra Lula em 2026.

A nota foi publicada no Instagram oficial do PSDB-SP. O texto defendeu o presidente nacional do PSDB como alternativa à polarização, poucos dias depois de o Cidadania aprovar por unanimidade o nome de Aécio na Executiva Nacional da legenda.

A movimentação não transforma Aécio em favorito. O efeito imediato é outro: o PSDB tenta dizer ao eleitor anti-Lula que existe vida fora do bolsonarismo, justamente quando Flávio Bolsonaro tenta conter o desgaste provocado pelo caso Banco Master.

O Solidariedade aparece nas conversas sobre a construção desse campo, mas não há apoio formal público fechado ao nome de Aécio. O dado importa porque separa articulação de decisão partidária. Por ora, há balão de ensaio tucano, adesão do Cidadania e tentativa de medir espaço político.

A dificuldade eleitoral de Aécio em Minas precisa ser lida com cuidado. Ele não aparece como centro natural da disputa pelo governo mineiro, onde Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera cenários, mas segue competitivo em levantamentos para o Senado. A candidatura presidencial, portanto, funciona menos como certeza eleitoral e mais como instrumento de reconstrução nacional do PSDB.

É nesse ponto que o Paraná entra na história. A eleição estadual tem três cenários diferentes, e misturá-los embaralha a análise. Sergio Moro (PL) está no jogo do Palácio Iguaçu. Alvaro Dias (MDB), Cristina Graeml (PSD), Filipe Barros (PL), Deltan Dallagnol (Novo), Alexandre Curi (Republicanos) e Gleisi Hoffmann (PT) estão na corrida pelo Senado. Beto Richa (PSDB) está na Câmara dos Deputados.

No Palácio Iguaçu, Moro tenta vender a pré-candidatura ao governo do Paraná como principal abrigo do eleitor conservador anti-PT. A filiação dele ao PL foi confirmada em março, com apoio de Flávio Bolsonaro, e amarrou o ex-juiz da Lava Jato ao presidenciável bolsonarista.

Aécio incomoda Moro porque reabre uma faixa de centro-direita fora do PL. O eleitor que rejeita Lula, mas não quer carregar o Banco Master no palanque, passa a ter uma senha tucana para circular fora da órbita de Flávio Bolsonaro.

Ratinho Junior (PSD) aparece em outro papel. Ele não disputa o Palácio Iguaçu porque já governa o Paraná pela segunda vez consecutiva. O governador tenta eleger o sucessor, Sandro Alex (PSD), e organizar uma chapa majoritária capaz de enfrentar Moro no governo e disputar as duas vagas do Senado.

Esse desenho explica a entrada de Cristina Graeml no PSD. Ela está no campo do Senado, com força eleitoral em Curitiba e apelo conservador. Ao mesmo tempo, o grupo de Ratinho Junior também trabalha Alexandre Curi (Republicanos) como pré-candidato ao Senado, segundo registro do Blog do Esmael.

Alvaro Dias está no mesmo xadrez político de Cristina Graeml, Curi, Filipe Barros, Deltan e Gleisi. Ele disputa a condição de nome conservador ou de centro capaz de atrair o segundo voto ao Senado. Pesquisa Paraná Pesquisas registrada em maio mostrou Alvaro com 39,3% em um cenário, Deltan com 26,1%, Gleisi com 25,2%, Filipe Barros com 23,6%, Curi com 22,4% e Cristina Graeml com 14,5%.

Flávio Bolsonaro já sentiu esse risco no Paraná. Em abril, ele confirmou apoio a Filipe Barros e Deltan ao Senado e fez apelo a Cristina Graeml para evitar a divisão de votos da direita. A fala mostrou que o PL sabe que a eleição paranaense não cabe numa ordem única vinda de Brasília.

Beto Richa entra por outra porta. O ex-governador é deputado federal pelo PSDB e integra a Federação PSDB-Cidadania na Câmara. Aécio no plano nacional devolve ao tucanato uma vitrine que ajuda Richa a buscar a reeleição sem depender do palanque de Moro, Ratinho Junior ou Flávio Bolsonaro.

Para Richa, a operação tucana tem serventia direta. O PSDB paranaense ficou menor, mas ainda carrega memória administrativa, prefeitos, vereadores e redes municipais. Uma candidatura presidencial de Aécio oferece discurso de partido nacional, não apenas sobrevivência local.

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, por sua vez, sofre uma nova perda de controle narrativo. A pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (25) mostrou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 43% no segundo turno, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, depois da repercussão do caso Banco Master.

O desgaste não ficou restrito à pesquisa. O Blog do Esmael registrou que Flávio admitiu ter se encontrado com Daniel Vorcaro depois da prisão e disse que a relação com o banqueiro se limitava a um investimento para filme sobre Jair Bolsonaro. O senador nega irregularidades.

Aécio tenta ressuscitar o PSDB no mesmo corredor onde Moro procura abrigo para o governo do Paraná. A diferença é que Moro precisa do PL de Flávio Bolsonaro para chegar ao Palácio Iguaçu, enquanto Richa pode usar Aécio para apresentar o PSDB como alternativa própria na eleição proporcional.

A fragmentação da direita não elege Aécio por gravidade. Ela, porém, enterra a fantasia de fila única em torno de Flávio Bolsonaro. No Paraná, a consequência é concreta: Moro fica mais colado ao PL, Ratinho Junior tenta segurar a própria chapa, Alvaro e Cristina disputam votos ao Senado, e Richa ganha uma bandeira tucana para pedir novo mandato na Câmara.

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