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Flávio Bolsonaro vira risco para Moro, Deltan e Ratinho no Paraná
Flávio Bolsonaro vira risco para Moro, Deltan e Ratinho no Paraná
Por Administrador
Publicado em 19/05/2026 13:40
POLITICA
Flávio Bolsonaro vira risco para Moro, Deltan e Ratinho no Paraná

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à reunião da bancada do Partido Liberal (PL), nesta terça-feira (19), com a pré-candidatura presidencial em crise, a direita do Paraná rachada e o caso BolsoMaster contaminando Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Ratinho Junior (PSD).

O encontro foi convocado para tentar conter o desgaste provocado pelos áudios e mensagens revelados pelo The Intercept Brasil, nos quais Flávio Bolsonaro aparece tratando com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL). O partido tenta estancar a sangria depois que aliados passaram a criticar a forma como o senador respondeu à crise.

A situação piorou porque a crise deixou de caber nos áudios. Na véspera da reuniu partidária de hoje, Flávio Bolsonaro admitiu a aliados do PL ter tido ao menos mais um contato com Vorcaro, no período em que o banqueiro estava sob monitoramento eletrônico em casa, em São Paulo, depois da primeira prisão no caso Banco Master.

Vorcaro foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 18 de novembro de 2025. A investigação apura suspeitas envolvendo carteiras de crédito sem lastro financeiro e operações ligadas ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB). A defesa de Flávio Bolsonaro nega irregularidade e sustenta que a conversa tratava de patrocínio privado, sem contrapartida pública.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19) transformou a crise em problema eleitoral. Lula (PT) aparece com 47% no primeiro turno, contra 34,3% de Flávio Bolsonaro, 6,9% de Renan Santos, 5,2% de Romeu Zema e 2,7% de Ronaldo Caiado. No segundo turno, Lula marca 48,9%, contra 41,8% de Flávio.

O levantamento não crava vitória de Lula no primeiro turno, mas coloca a hipótese no radar político. Com 47% das intenções totais, o presidente fica perto da maioria dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Para a direita, o dado importa porque reduz a margem de erro dos palanques estaduais que dependem de Flávio Bolsonaro como puxador nacional.

No Paraná, o primeiro atingido é Sergio Moro. O ex-juiz da Lava Jato se filiou ao PL em março, ao lado de Rosangela Moro (PL-SP), Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, num ato que redesenhou a disputa de 2026 no estado. A candidatura de Moro ao governo ficou atrelada ao projeto presidencial do filho zero um de Jair Bolsonaro.

Esse vínculo agora virou risco. Moro tenta preservar a imagem de “anticorrupção”, mas está no mesmo partido de Flávio Bolsonaro e depende da mesma engrenagem bolsonarista que foi atingida pelo caso Vorcaro. O Blog do Esmael já mostrou que Moro prometeu uma agência estadual anticorrupção, mas entrou no BolsoMaster pela porta estreita da defesa política de Flávio Bolsonaro.

A segunda fissura está na coligação PL-Novo no Paraná. Romeu Zema (Novo) criticou Flávio Bolsonaro depois da revelação dos áudios, enquanto o diretório estadual do Novo no Paraná classificou a manifestação como “precipitada” e reafirmou a aliança local com o PL. A crise colocou o partido de Deltan Dallagnol contra o próprio presidenciável nacional do Novo.

Deltan Dallagnol também entrou nessa linha de confronto. Antes da crise explodir de vez, ele disse que não havia espaço para uma segunda via de direita com Zema e defendeu a leitura de que o campo conservador deveria se concentrar em torno de Flávio Bolsonaro. A aposta, que parecia pragmática, agora cobra preço político no Paraná.

O terceiro movimento é de Ratinho Junior. O Blog do Esmael informou que o governador pisou no freio da relação com Flávio Bolsonaro depois que o BolsoMaster entrou no centro da disputa presidencial de 2026. O recuo abre espaço para uma engenharia alternativa com Zema e complica a vida de Deltan, que tenta sustentar a ponte entre Novo e PL no estado.

A reunião do PL desta terça-feira (19), portanto, não trata apenas da comunicação de Flávio Bolsonaro. Ela mede se a direita conseguirá manter de pé uma candidatura presidencial que já contamina palanques estaduais, ameaça arrastar Moro para dentro do caso Master e acelera a implosão da aliança PL-Novo no Paraná.

Flávio Bolsonaro ainda não saiu da disputa, mas sua pré-candidatura subiu no telhado porque a crise passou a produzir dano em cadeia. Quando um escândalo nacional atinge o candidato, o partido, a pesquisa, o palanque de Moro, o projeto de Deltan e o cálculo de Ratinho Junior, o problema deixou de ser ruído de Brasília.

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