Enquanto mantém o discurso de combate a privilégios, Sergio Moro sustenta com dinheiro público um escritório político em um prédio corporativo de alto padrão, entre o Centro e o Batel, uma das áreas mais valorizadas de Curitiba. Segundo reportagens do Reverbero e do Metrópoles, documentos da Transparência do Senado mostram despesas mensais com aluguel, condomínio, limpeza, garagem e manutenção de segurança do espaço.
Só em março de 2026, os gastos identificados passaram de R$ 11 mil. O prédio é descrito como empreendimento premium, com auditório, estacionamento em vários andares, ar-condicionado central, blindagem acústica, monitoramento eletrônico e controle de acesso. Desde 2023, a manutenção da estrutura já ultrapassaria R$ 440 mil ao longo do mandato.
O detalhe mais sensível é que o imóvel alugado para o gabinete de Moro pertence a um escritório ligado a sócios de seu suplente, Luis Felipe Cunha, nome que não é periférico no entorno do senador. Em 2022, o próprio O Globo tratou Cunha como o “homem de confiança número 1, 2 e 3” de Moro na campanha presidencial. Na prática, o caso atinge em cheio a imagem construída por Moro: a de quem cobra moralidade pública dos outros, mas mantém uma estrutura confortável, cara e conectada ao próprio núcleo político quando a conta fica para o contribuinte.
