A falta de vacina contra clostridioses, doenças infecciosas de alta letalidade causadas pela bactéria Clostridium, tem preocupado os pecuaristas do Paraná. Em algumas regiões, há um mês a falta é total e já há registros de morte de animais pela ausência da imunização, conforme registrado na reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep. A entidade mapeia a situação no Estado e cobra solução para o problema.
“Estamos fazendo um levantamento completo de todas as regiões do Estado para saber onde a vacina está em falta e pedir, junto aos órgãos responsáveis, que acelerem a distribuição do imunizante”, afirma o presidente Ágide Eduardo Meneguette.
As clostridioses estão entre as doenças que mais matam bovinos no País, por isso a vacina deve ser aplicada nos bezerros com mais de 90 dias. “É feita a primeira dose e, 30 dias depois, um reforço”, explica Fábio Mezzadri, técnico da Faep.
É exatamente esse reforço que a pecuarista Ane Becker, de Cidade Gaúcha, não conseguiu fazer em 300 bezerros. “Nem aqui nem nas cidades vizinhas tem a vacina. Na região tem muita gente que não conseguiu fazer nem a primeira dose. Já tem registro de mortes comprovadas por carbúnculo [uma das doenças entre as clostridioses], inclusive em nosso vizinho”, comenta Ane, que tem um rebanho com cerca de mil cabeças.
Além do carbúnculo, entre as clostridioses mais comuns em bovinos estão o botulismo, o tétano, a gangrena gasosa, enterotoxemias, hemoglobinúria bacilar e doença do rim polposo.
O fechamento de fábricas importantes, inclusive uma de Londrina, é apontado como causa desse problema, pois a produção nacional dessa vacina chegou a cair 20%, aumentando a dependência de mercados internacionais para a imunização do nosso rebanho, principalmente Uruguai, Argentina e Estados Unidos.
EXPORTAÇÕES SUSPENSAS
Esse posicionamento da Faep veio um dia depois de a União Europeia publicar atualização da lista de países de cumprem suas regras relativas ao uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, suspendendo a exportação de carne bovina brasileira para os países integrantes do bloco a partir de setembro próximo, o que pode resultar na perda de até US$ 2 bilhões anuais em exportações.
De acordo com a UE, o Brasil foi excluído da lista por não oferecer garantias sobre a não utilização de antimicrobianos na pecuária e as autoridades brasileiras tentarão negociar a suspensão da medida, mas, em última análise, esse é mais um motivo de preocupação para a pecuária brasileira. (Foto: Divulgação Sistema Faep)