O Brasil é um país que, muitas vezes, prefere tentar a sorte nas encruzilhadas da vida do que apostar no chamado “óbvio ululante”, ou seja, naquilo que não tem como dar errado. Fruto disso, vez em quando surgem iniciativas que deveriam ser tomadas desde sempre, mas são deixadas de lado por absoluta falta de responsabilidade, sobretudo do poder público.
Exemplo disso é um projeto que acaba de ser protocolado na Assembleia Legislativa do Paraná, pelo deputado Gilson de Souza, fixando normas gerais de segurança relativas à instalação, fixação, manutenção e uso de traves de futebol em espaços públicos e privados destinados à prática esportiva. O foco é prevenir acidentes, especialmente em ambientes frequentados por crianças e adolescentes.
A proposta prevê regras para escolas públicas e privadas, quadras, campos, ginásios, clubes recreativos, associações e outros locais de uso coletivo que disponibilizem traves para atividades esportivas. Entre as medidas previstas estão a exigência de fixação adequada ao solo ou a uma estrutura auxiliar, uso de sistema de contrapeso eficaz quando necessário, manutenção periódica, inspeções regulares e suspensão imediata do uso em caso de risco aos usuários.
O texto também reforça a necessidade de sinalização orientativa e de ações educativas voltadas à prevenção, com o objetivo de criar uma cultura permanente de segurança nos espaços esportivos. A iniciativa busca transformar cuidados básicos em regras, estabelecendo parâmetros mínimos para evitar que estruturas mal fixadas ou sem manutenção adequada se tornem ameaças à integridade dos usuários.
“Não podemos esperar que novas tragédias aconteçam. O esporte deve ser espaço de formação, saúde, lazer e convivência, jamais de risco por falta de cuidados. Nosso projeto estabelece medidas preventivas para proteger vidas e reforçar a responsabilidade com a segurança, especialmente das nossas crianças”, afirma Gilson de Souza em sua justificativa, após lembrar mortes recentes de crianças ocorridas em Ibema, Marquinho e Prudentópolis.
A ideia em si deve ser aplaudida. O que não é digno de aplausos é a negligência com que esse tema tem sido tratado há tantos e tantos anos, como se só agora o Paraná estivesse sendo abalado por tragédias desse tipo. (Foto: Reprodução)