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Ratinho embarca para a Suíça após avisar ao PL que terá candidatura própria
Ratinho embarca para a Suíça após avisar ao PL que terá candidatura própria
Por Administrador
Publicado em 12/03/2026 08:20
POLITICA
Ratinho embarca para a Suíça após avisar ao PL que terá candidatura própria

O governador Ratinho Junior (PSD-PR) volta a fazer as malas em meio à corrida de 2026. Depois de comunicar ao PL, em Brasília, que seguirá com candidatura própria pelo PSD à Presidência da República, o chefe do Palácio Iguaçu deve embarcar nesta quinta-feira (12) para a Suíça, segundo apuração do Blog do Esmael. O destino agora é Genebra, onde ocorre a 51ª Exposição Internacional de Invenções, um dos maiores eventos mundiais de inovação, marcado entre quarta-feira (11) e domingo (15), no Palexpo.

A viagem tem peso administrativo, mas também carrega forte recado político. Ratinho parece cada vez mais “animado” com a ideia de trocar o Palácio Iguaçu pelo Palácio do Planalto. Nem bem voltou das férias nos Estados Unidos, em fevereiro, o governador já se lança outra vez numa agenda internacional, agora com a vitrine da inovação como pano de fundo. A ida anterior à Disney foi noticiada em fevereiro, em meio ao debate sobre o futuro eleitoral do governador e sobre o prazo de desincompatibilização exigido para quem pretende disputar a Presidência.

O evento em Genebra, de fato, existe e tem porte internacional. Segundo os organizadores, a mostra reúne inventores, empresas, universidades e instituições de dezenas de países para apresentar tecnologias e soluções inovadoras. A edição de 2026 é a 51ª e ocorre exatamente de 11 a 15 de março, no centro de exposições Palexpo, em Genebra. A Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI/WIPO) também registra a feira como um espaço global de exibição de invenções, com mais de mil projetos de 40 países e regiões nesta edição.

Do ponto de vista do discurso oficial, a viagem combina com a agenda que o governo paranaense vem tentando vender neste início de março. Nos últimos dias, a administração estadual divulgou ações e eventos voltados à inovação pública e ao reposicionamento do Paraná como referência tecnológica, além de reforçar a presença de comitivas do estado em encontros nacionais ligados à modernização da gestão.

Politicamente, porém, a viagem diz mais do que a agenda oficial. A ida à Suíça ocorre logo depois de Ratinho avisar ao PL que não quer ser linha auxiliar do bolsonarismo em 2026, mas candidato a presidente por conta própria. O recado abriu espaço para que o partido monte palanque independente no Paraná, possivelmente com Sergio Moro (União Brasil) no centro da engrenagem. Nesse cenário, a agenda internacional ajuda Ratinho a cultivar pose de presidenciável, acima da briga local. Ao mesmo tempo, reforça a impressão de que ele empurra com a barriga decisões decisivas para a sucessão no estado.

O problema é que a política não espera embarque nem conexão. Enquanto o governador busca musculatura fora do país, o quadro interno do Paraná segue em ebulição. O grupo governista ainda precisa fechar quem carregará sua sucessão no estado, ao mesmo tempo em que a direita bolsonarista testa alternativas e a oposição observa as fissuras. Viajar, nesse momento, pode ser vendido como agenda de Estado. Mas também pode ser lido como sinal de que Ratinho já está com a cabeça mais na “Lua” do que nos problemas concretos do fim de mandato.

Há ainda um componente de imagem. Em menos de 40 dias, Ratinho soma uma viagem de férias ao exterior e, agora, uma nova saída internacional em pleno calendário pré-eleitoral. Para um governador que tenta se apresentar como gestor eficiente e presidenciável competitivo, a conta política dessas ausências depende menos da agenda oficial e mais da percepção pública. Se voltar com anúncios, encontros e resultados, dirá que fez diplomacia econômica. Se voltar apenas com fotos e pose internacional, dará munição aos adversários.

Ratinho tenta construir imagem de candidato nacional, mas toda viagem, em ano eleitoral, cobra pedágio político na volta. O governador quer vender estatura internacional, porém segue devendo ao Paraná uma resposta mais clara sobre quem herdará seu grupo e qual será, afinal, o custo dessa aventura presidencial. 

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