Menu
DÍVIDA: Porque a dívida pública do Brasil está em 10 trilhões? Entenda.
DÍVIDA: Porque a dívida pública do Brasil está em 10 trilhões? Entenda.
Por Administrador
Publicado em 06/02/2026 12:04
ECONOMIA
DÍVIDA: Porque a dívida pública do Brasil está em 10 trilhões? Entenda.

Muita gente tem repetido que Luiz Inácio Lula da Silva “quebrou o país” porque a dívida estaria chegando a R$ 10 trilhões.

Antes de tirar conclusão, vale entender do que estamos falando.

Existem duas dívidas diferentes.

A primeira é a Dívida Pública Federal. É apenas o que o governo federal deve em títulos do Tesouro.

A segunda é a Dívida Bruta do Governo Geral. Ela soma governo federal, INSS, estados e municípios. É essa que aparece nas manchetes dos “10 trilhões” e é acompanhada pelo Banco Central do Brasil.

Sem separar essas duas coisas, os números ficam misturados.

Quando Jair Bolsonaro assumiu, no fim de 2018, o país tinha Dívida Pública Federal de R$ 3,877 trilhões e Dívida Bruta de R$ 8,107 trilhões.

Quando Bolsonaro deixou o cargo, no fim de 2022, a Dívida Pública Federal estava em R$ 5,951 trilhões e a Dívida Bruta em R$ 9,850 trilhões.

Esses foram os valores recebidos pelo governo seguinte em janeiro de 2023.

No fim de 2025, já no governo Lula, a Dívida Pública Federal chegou a R$ 8,635 trilhões e a Dívida Bruta a R$ 9,990 trilhões.

Em resumo: Bolsonaro recebeu a dívida bruta em R$ 8,107 trilhões e entregou em R$ 9,850 trilhões, num cenário de déficit estrutural e juros altos. Lula pegou nesse patamar e, em pouco mais de dois anos, a dívida bruta avançou até R$ 9,990 trilhões.

Nesse mesmo período, só a dívida do governo federal aumentou R$ 2,684 trilhões.

A pergunta é direta: para onde foi esse dinheiro?

Esse aumento não foi para um único lugar. Ele se dividiu em blocos bem conhecidos do orçamento.

Cerca de R$ 1 trilhão foi usado para pagar juros de títulos antigos. Esse dinheiro não vira escola, hospital ou obra. É apenas o custo de manter a dívida existente funcionando.

Aproximadamente R$ 700 bilhões foram para cobrir o déficit da Previdência, principalmente aposentadorias e pensões, que não se pagam sozinhas e precisam ser bancadas pelo Tesouro.

Mais de R$ 400 bilhões foram consumidos por programas sociais e benefícios, como Bolsa Família ampliado e outros auxílios.

Cerca de R$ 200 bilhões entraram em custeio e pessoal do governo. Aqui entram salários de servidores, encargos, reajustes de carreira, contratos de limpeza e vigilância, manutenção de prédios, sistemas de informática, ministérios, autarquias e estatais. É o custo diário da máquina pública funcionando.

Além disso, algo perto de R$ 150 bilhões foi para emendas parlamentares e outras despesas livres, definidas pelo Congresso e pelo governo.

Somando esses blocos principais, chegamos a cerca de R$ 2,45 trilhões.

A alta total da Dívida Pública Federal foi de R$ 2,684 trilhões.

A diferença, cerca de R$ 234 bilhões, vem de fatores financeiros: correção monetária dos títulos, variação cambial da parte externa da dívida, ajustes contábeis e diferenças entre valores empenhados, pagos e rolados.

Em termos práticos, o que aconteceu foi isso: o governo gastou mais do que arrecadou, precisou emitir novos títulos, esses títulos entraram no estoque da dívida.

Com juros altos, previdência deficitária e despesas obrigatórias grandes, a conta cresceu. É assim que a dívida chegou perto dos R$ 10 trilhões.

Comentários

Chat Online