A proposta que prevê vistoria anual para veículos com mais de cinco anos voltou a movimentar o debate sobre segurança no trânsito. A ideia parte do argumento de que automóveis mais antigos tendem a apresentar desgaste mecânico e maior nível de emissões, fatores que podem afetar a segurança e o meio ambiente.
O avanço da discussão, porém, trouxe à tona uma crítica recorrente: onde está o maior risco real nas vias brasileiras? Dados consolidados por órgãos oficiais mostram que o país registra mais de 35 mil mortes por ano no trânsito, um número que segue entre os mais altos do mundo.
Estudos técnicos do próprio setor de infraestrutura apontam que as condições das estradas têm peso decisivo nesses números. Pavimento deteriorado, sinalização insuficiente e falta de manutenção aparecem de forma recorrente como fatores associados a acidentes graves, muitas vezes independentemente do estado do veículo.
Diante desse cenário, cresce a defesa de que políticas de inspeção e controle também priorizem rodovias e vias urbanas com mais de cinco anos de uso, com avaliações técnicas periódicas e investimentos contínuos em manutenção. Para especialistas, melhorar a infraestrutura teria impacto direto na redução de acidentes e na mobilidade.
Hoje, a frota brasileira tem idade média acima de 11 anos, o que significa que mais da metade dos veículos seria atingida pela nova regra. Defensores da vistoria argumentam que a inspeção ajuda a identificar falhas em sistemas essenciais antes que elas se tornem tragédias. Críticos, no entanto, alertam que sem estradas seguras, o problema continua no mesmo lugar.


