A disputa pela bênção do governador Ratinho Júnior dentro do PSD para a sucessão no Paraná afunilou e já tem vencedores e derrotados nos bastidores do Palácio Iguaçu. O jogo interno reduziu a competição a dois nomes e deixou pelo caminho figuras que, até pouco tempo, se apresentavam como alternativas viáveis ao governo estadual.
Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba e atual secretário do Desenvolvimento Sustentável, foi o primeiro eliminado do paredão palaciano. Em tempos de política transformada em espetáculo permanente, Greca saiu antes mesmo de a disputa ganhar forma pública. A resistência do grupo mais próximo de Ratinho Júnior ao ex-prefeito tornou-se quase unânime e funciona como sinal claro de veto antecipado.
Essa ojeriza interna a Greca espelha a rejeição que o entorno fiel do governador mantém em relação ao senador Sergio Moro (União). Ex-juiz da Lava Jato, Moro é visto pelos aliados de Ratinho como um desafeto histórico, tratado com desconfiança e descrito, nos corredores do poder, como “pele de cordeiro” em pré-temporada eleitoral.
Entretanto, isso não representa o fim do jogo para Greca. Pelo contrário. Ao menos três legendas cobiçam o passe do tri-prefeito da capital paranaense, PP, Podemos e MDB. Ele tende a buscar um caminho alternativo para concretizar o sonho de Margarita, sua esposa falecida, de chegar ao cargo de governador de todos os paranaenses.
Com isso, a disputa umbilical pela candidatura governista do PSD ao governo do Paraná ficou restrita a dois nomes. De um lado, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi, parlamentar experiente, com trânsito interno e base consolidada. De outro, o secretário estadual das Cidades, Guto Silva, amigo do governador e figura controversa para a chamada “República de Jandaia do Sul”.
Mesmo reduzido a apenas dois postulantes, o cenário ainda não oferece conforto político a Ratinho Júnior. O governador evita anunciar seu dileto amigo Guto Silva como escolha definitiva, sobretudo após a saraivada de denúncias que atingiu seu entorno mais próximo. O retardamento estratégico indica cautela e leitura fina do ambiente político.
É justamente nesse terreno instável que Sergio Moro tenta extrair dividendos. Segundo aliados do governador, tanto o ex-juiz quanto a oposição, liderada pelo PT, vêm sendo abastecidos por vazamentos internos do Palácio Iguaçu. Nos bastidores, o fenômeno ganhou nome conhecido na política, fogo amigo, se é que ainda faz sentido chamar de amigo quem opera contra a própria trincheira.
O fato é que a sucessão estadual no Paraná deixou de ser uma disputa ampla e passou a ser um duelo controlado, sob vigilância permanente do governador. Ratinho Júnior administra o tempo, mede riscos e tenta conter fissuras internas enquanto adversários observam e se alimentam das brechas.
O afunilamento da disputa expõe um governo acuado pelo próprio sucesso e pelos conflitos que ele gerou. Ao postergar a escolha e conviver com vazamentos, Ratinho corre o risco de fortalecer quem está fora do seu círculo. A sucessão ainda é governista, mas o controle absoluto já não é garantido.