Nem mileismo, trumpismo, xiismo ou putismo têm. A política não se mostrou capaz de criar soluções para redimir a humanidade de problemas como a escravidão, a dívida galopante e a fome. Perdidos e sem soluções a mostrar, dez entre dez políticos perguntam às vertentes da Inteligência Artificial o quê e como fazer.
Só que a IA ainda é meio burrinha e não tem as respostas.
O que já se sabe com certeza é que neste outubro o Centrão vai ampliar seu domínio, vencendo as eleições para presidente, governadores, quase todos os senadores e algo perto de quatro quintos da Câmara Federal.
Resumindo: “quintos” de um lugar ruim.
E nós? A gente ignora quem nos enrola lá do alto, oculto pelas aparências político-eleitorais. Falta-nos perceber que nenhum eleito vai resolver os problemas complexos que se entrelaçam com os desafios e contradições da civilização.
Enquanto as soluções reais não vêm – elas vão depender da derrota dos nacionalismos, do fim às polarizações e do desenvolvimento rápido da IA – o que resta é o cancelamento.
Evite o odiador
O hater (odiador), sujeito que não suporta outra pessoa por ser, agir ou pensar diferente dele, é o cancelador. Ao depender dos outros haters para se sentir bem, demora a perceber que ao cancelar quem é diferente está criando um mundo próprio, mas falso, limitado e enganoso.
Só vai perceber que errou quando a infelicidade retornar, pois o mundo perfeito que só existe em sua cabeça vai levá-lo a terríveis erros de avaliação.
E quem não é hater, mas também cancela quem pensa diferente, meio na galhofa, meio no preconceito? Só de pensar no que o desagrada ou na opinião que o incomoda será conduzido ao mesmo desastre: criará um mundo todo redondinho adaptado ao que pensa e quer, mas igualmente falso e distorcido.
Nos dois casos, o choque entre o mundo falso e a realidade não percebida levará a algum tipo de prejuízo.
Parceiro, filho, amigo, sócio, cliente, mercado, mundo, nada vai funcionar de acordo com o modelo imaginário que julgava ser real depois que os cancelamentos que pareciam tão cômodos e compensadores se revelarem meras criancices.
Cadê meu carnê?
Nesse momento surge a pergunta: por que as Casas Americanas, empresa que vendia muito, foi à falência? Ela tinha uma organização perfeita, mina de ouro que sempre se renovava. Mas caiu em 2023 e até hoje segue em recuperação.
Podia ser um caso isolado, mas também explodiram falências de outros nomes de grande sucesso no mercado – quem não teve conta na Oi? Levante a mão quem não tinha crediário nas Casas Bahia, Marisa, Natura...
Nenhuma tinha maus administradores ou desconhecia o ramo. Nenhuma estava desatenta ao noticiário ou ignorava as tramoias políticas e as tendências do mercado. Bolaram políticas que lhes pareciam perfeitas, mas faliram.
Cerca de 60% a 70% de gente cheia das melhores ideias, muita garra e vontade de trabalhar abre empresas com otimismo nas alturas e informação ampla sobre o mercado, mas logo as vê tombando, extintas em curto prazo.
Boa parte dos 30% a 40% que seguem em frente também passam apuros no médio prazo e no longo sofrem percalços mesmo com ousadia, persistência e informação.
A resposta não sopra ao vento
Os fracassados em geral culpam o governo por seus desastres, mas isso não resolve o problema. Os governantes também são fracassados, movidos por ideias fixas que excluem o que não querem, não gostam, não compreendem ou não sabem resolver.
E quem não cancelou, se é que alguém conseguiu não cancelar os imbecis, os intolerantes e os malucos, provavelmente não conseguiu blindar também os filhos e netos a ponto de torná-los mais resilientes e capazes.
O ato de ler fortalece o desconfiômetro saudável e protetor que leva a imaginar uma resposta ao “por quê?”, mesmo sem ter certeza de que será a correta.
Quem lê bastante se chateia com tanta idiotice, malandragem e a distorção terrível que se vê nos sites e blogs, claro, mas se evitar a combinação cancelamento+polarização terá boas chances de errar menos ao decidir.
Porque erram ao tomar decisões
É uma tarefa difícil, mas com boa assessoria e especialistas capazes de usar a Inteligência Artificial mais desenvolvida (hoje ainda está meio burrinha) e não se deixarem enganar pelas AIs manipuladas por bandidos, será possível chegar a uma importante redução de erros.
Só que isso custa caro e a maioria da população não pode pagar, daí porque vão cair em novas crenças e se apegar em políticos, religiosos e cientistas que amanhã serão superados, pois mesmo hoje se perdem na confusão causada por choques brutais e insultuosos de opiniões, em que todos gritam e ninguém tem razão.
Há poucas coisas mais ridículas, ilusórias e enganosas que os embates ruidosos entre bolsonaristas e lulistas. Errados rebatendo errados levam a erros generalizados.
Não há como estranhar que errem feio na tomada de decisões e, em última análise, fica até compreensível porque erram tanto e, derrubados pela dura realidade, quebrem nos negócios lícitos, embora faturem alto com mutretas.
O problema é que esses ambientes de gritarias e exclusões contaminam a sociedade de forma grave, com amplos efeitos nas eleições, resultando na escolha de pérfidos malandros que hoje a propaganda disfarça de honestos, gênios e bondosos, mas nos anos seguintes serão um desastre para o conjunto da sociedade. (Ilustração IA)