Acabou o encanto:
O desvio na finalidade da conjuntura política em todos os níveis, faz cada vez mais o eleitor perder o encanto com a política e consequentemente com eleições.
"Essa é uma eleição em que as pessoas estão desanimadas com os candidatos que estão aí, e que tem grande chance de aumentar, num nível razoável, a abstenção e os votos nulos e brancos".
"Possivelmente teremos a maior taxa de abstenção nas eleições gerais de 2002 para cá."
Na próxima quinta-feira dia 01/10 termina o horário eleitoral e o que realmente precisamos e nos interessa ficou fora da propaganda, não nos apresentaram a proposta do real necessário, tampouco nos apontaram o norte.
Um eleitorado que já vem com feridas sangrando, frustrado pelas más práticas apresentadas pelos poderes, somada a uma campanha marcada pela repetição da polarização entre petismo e bolsonarismo, disputas de egos, vaidades explícitas e pelo pouco espaço dedicado ao debate lógico - ofuscado por crises vergonhosas, da falta de energia elétrica à escândalos Master e no Supremo Tribunal Federal (STF).
A abstenção, que foi recorde nas eleições de 2022, pode voltar a crescer no pleito deste ano e atingir o maior nível das últimas décadas, o número de votos brancos e nulos pode aumentar.
O escritor e cientista político Jairo Nicolau em seu livro, país dividido, publicado em junho pela editora Zahar, dedica um capítulo a analisar quem são os eleitores que deixaram de comparecer às urnas nas seis eleições presidenciais entre 2002 e 2022.
Os dados mostram que a abstenção não se distribui de maneira uniforme entre os eleitores - o que também dificulta prever quem poderia ser mais afetado por uma eventual alta neste ano.
"As mulheres comparecem mais, então o comparecimento feminino favorece o Lula. Mas as pessoas de baixa escolaridade comparecem menos. E isso prejudica o Lula", afirma em sua pesquisa.
Ainda a considerar que a cada ano temos mais gente com 70 anos, desobrigadas de votar. Outra influência para não votar é o custo pequeno, com a facilidade para justificar e sem consequências, o voto estaria em modo facultativo, o que seria o fim do autoritarismo nas eleições.
"Pois, pelo encanto e resultados", no molde atual, os políticos não estão animando o povo para votar - sequer para aplaudir esse espetáculo fajuta.
