O Partido Socialista Brasileiro (PSB) expulsou o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Oliveira da Silva, o Fernando Bermuda, após a repercussão de mensagens atribuídas ao gestor envolvendo apoio a candidatos de outras legendas, entre eles Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi formalizada pela Comissão Estadual do PSB no Maranhão por meio da Resolução nº 008/2026, aprovada em sessão extraordinária no último sábado. Segundo o partido, houve "grave infidelidade partidária", já que Bermuda ocupa um mandato conquistado pela legenda.
Mensagens enviadas pelo prefeito em grupos e canais de transmissão de aplicativo de mensagens mostram pedidos de apoio a Flávio Bolsonaro, acompanhados de referências a possíveis consequências no funcionalismo público para servidores que não seguissem essa orientação. Uma música produzida com inteligência artificial, que também circula entre moradores do município, reforça essa associação entre a permanência no cargo e o apoio ao candidato do PL.
Procurado pela imprensa, Bermuda não negou o conteúdo das mensagens, mas afirmou que elas representam seu "ponto de vista sobre a política" e sobre os possíveis impactos de mudanças no governo federal para o orçamento municipal. Já em nota divulgada após a repercussão do caso, o prefeito reconheceu ter usado "palavras e um tom inadequados" durante uma conversa informal em grupo, mas negou ter cometido qualquer tipo de coação, ameaça ou perseguição contra servidores por motivos eleitorais, reforçando que nenhum funcionário foi demitido ou punido.
Na resolução de expulsão, o PSB aponta que a atuação de Bermuda contrariou orientações da direção partidária, inclusive a candidatura de Geraldo Alckmin à vice-presidência, e cita a possibilidade, em tese, de abuso de poder político — cabendo à Justiça Eleitoral apurar o caso. Com a decisão, a filiação de Fernando Bermuda ao partido deve ser cancelada, e a medida será comunicada à Direção Nacional do PSB e aos órgãos partidários estaduais e municipais.