A possível neutralidade da Federação União Progressista e do Republicanos na eleição presidencial ameaça deixar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sem o apoio formal de três partidos que, no Paraná, já fecharam aliança com Sandro Alex (PSD) para o governo e Alexandre Curi (Republicanos) para o Senado. A negociação conduzida pelo PT busca impedir que essa estrutura seja incorporada à campanha do presidenciável do PL, sem exigir apoio formal ao presidente Lula.
Dirigentes do PP e do União Brasil sinalizam que a federação formada pelos dois partidos poderá liberar as alianças estaduais e permanecer neutra na disputa pelo Palácio do Planalto. O Republicanos também informou que as conversas com Flávio Bolsonaro não avançaram, mas ainda não anunciou uma decisão definitiva sobre a eleição presidencial.
A movimentação beneficia Lula porque reduz o arco partidário disponível para Flávio Bolsonaro. A consequência envolve tempo de propaganda, candidaturas proporcionais, diretórios municipais e palanques nos estados. Neutralidade, porém, não significa adesão ao petista: permite que cada grupo preserve seus interesses regionais sem entregar sua estrutura nacional ao PL.
No Paraná, a engenharia estadual já está mais adiantada. União Brasil e Progressistas anunciaram em 22 de julho apoio a Sandro Alex e Alexandre Curi. O acordo foi articulado pelo governador Ratinho Junior (PSD) e reuniu a presidente estadual do PP, deputada Maria Victoria, e o presidente estadual do União Brasil, deputado federal Delegado Matheus Laiola.
Maria Victoria atribuiu a definição a um pedido de Ratinho Junior. Laiola declarou confiança na continuidade do projeto estadual. Nenhum dos dois, entretanto, vinculou publicamente o acordo paranaense ao apoio presidencial a Flávio Bolsonaro. O Blog do Esmael acompanhou o evento em Curitiba.
O Republicanos também integra a coalizão de Sandro Alex e apresenta Alexandre Curi para uma das duas vagas ao Senado. O arranjo responde parte da pergunta eleitoral: PP, União Brasil e Republicanos caminham com o candidato escolhido por Ratinho Junior no Paraná. A escolha presidencial continua sem resposta formal dos diretórios estaduais.
Essa separação permite uma composição incomum, mas politicamente possível: os três partidos podem sustentar Sandro Alex contra Sergio Moro (PL) no governo estadual e, ao mesmo tempo, evitar uma campanha institucional contra Flávio Bolsonaro. Dirigentes e candidatos ainda poderão demonstrar preferências pessoais, mas isso não equivale a apoio partidário formal.
Sergio Moro perde espaço nessa combinação. O senador precisava ampliar sua coligação além do PL e do Novo, mas União Brasil, PP e Republicanos escolheram o campo governista estadual. Uma eventual neutralidade presidencial não devolve automaticamente esses partidos ao palanque de Moro.
Ratinho Junior aparece como o principal beneficiário no Paraná. O governador reuniu a Federação União Progressista e o Republicanos ao redor de Sandro Alex e preservou a candidatura de Alexandre Curi ao Senado. A articulação reduz o espaço de Moro e também de Rafael Greca (MDB), que disputavam partidos e lideranças da base estadual.
Para Lula, o ganho depende menos de conquistar votos declarados do centrão do que de bloquear a expansão de Flávio Bolsonaro. Sem PP, União Brasil e Republicanos, o candidato do PL fica mais dependente da própria legenda e de aliados ideológicos menores. Para Ratinho Junior, a neutralidade nacional permitiria manter sua coalizão estadual sem transformar Sandro Alex em extensão automática do bolsonarismo.
O cenário ainda é uma negociação, não um acordo concluído. PP, União Brasil e Republicanos não anunciaram apoio a Lula, e os diretórios paranaenses não formalizaram qual candidatura presidencial defenderão. O fato definido no Paraná é o apoio a Sandro Alex e Alexandre Curi; o palanque presidencial permanece em disputa.