A Polícia Federal acordou o país hoje lembrando que o Banco Digimais, controlado pelo "bispo" Edir Macedo, exala o mesmo cheiro de decomposição cadáver financeiro que já empesteava o Banco Master de Daniel Vorcaro.
O alvo da Operação Miragem é uma engrenagem que usa a alquimia contábil para maquiar cadáveres insepultos.
O modus operandi de ambos é idêntico na audácia: enquanto a trupe de Vorcaro multiplicava os pães fabricando carteiras inteiras de crédito consignado falso para justificar bilhões em ativos ilusórios, água transformada em vinho.
A instituição do líder da Igreja Universal optou pelo milagre da reciclagem.
O Digimais pegava suas carteiras de crédito podres, como financiamentos de veículos que ninguém ia pagar, e jogava em fundos de investimento onde o próprio banco era o dono. É o velho golpe do “Zé com Zé” para fingir saúde e apresentar lucro no balanço.
Bancos-zumbis não comem cérebros, embora sejam canibais, mas devoram a grana alheia. Maquiados por contabilidades criativas sob intensa "pregação da fé" de sucesso e com os amigos certos, Master e Digimais ostentavam um vigor de mentira para captar dinheiro de verdade.
Ao emitir títulos como CDBs pagando rentabilidades agressivas, acima de 110% do (CDI) Certificado de Depósito Interbancario - essas instituições atraíram investidores seduzidos por falsos profetas, e milagres da ficção.
Vendiam a imagem de um milagre financeiro rentável, mas entregaram o de sempre: a socialização do risco e a privatização do lucro.
No país onde a fé move montanhas e, ao que tudo indica, também movimenta ativos podres entre fundos de investimento, "O ermão Edir Macedo" enfrenta a mais mundana das provações: não a dos 40 dias no deserto, mas a da Polícia Federal batendo à porta com mandado de busca e apreensão.
Muitos ensinam que a prosperidade é sinal da graça divina. Difícil, no entanto, explicar aos fiéis que depositaram sua fé no Digimais que o milagre prometido era, na verdade, uma ilusão. Aleluia!