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Discurso de Lula no G7 pela soberania dos povos se choca com ganância do império decadente
Discurso de Lula no G7 pela soberania dos povos se choca com ganância do império decadente
Por Administrador
Publicado em 17/06/2026 09:12
POLITICA
Líder brasileiro afirmou que o acesso à Inteligência Artificial e a outras tecnologias de ponta não pode ficar excluído das parcerias para o desenvolvimento

O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (16), durante reunião ampliada do G7 em Évian, na França, que o combate ao crime organizado deve respeitar a soberania dos Estados e ser conduzido por meio da cooperação internacional.

A fala significou uma clara resposta às intenções intervencionistas do regime dos EUA em outros países sob o falso pretexto de combater o narcotráfico. Lula defendeu uma resposta articulada contra narcotráfico, lavagem de dinheiro e tráfico de armas, associando o enfrentamento aos crimes transnacionais à agenda global de desenvolvimento.

Para o líder brasileiro, crimes transnacionais precisam fazer parte do debate sobre desenvolvimento, especialmente diante do impacto do crime organizado sobre comunidades e sobre recursos públicos que deveriam ser destinados a áreas essenciais.

Lula destacou que o crime organizado “aterroriza comunidades” e desvia recursos que poderiam financiar escolas, hospitais e estradas. Segundo ele, o enfrentamento ao problema deve ocorrer sem violar a soberania dos países. “Esse esforço deve levar em conta do respeito à soberania dos Estados”, afirmou Lula.

O presidente advertiu que o narcotráfico não pode ser tratado de forma isolada em relação a outros crimes. “O enfrentamento ao narcotráfico não pode ser dissociado de outros ilícitos como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas”, declarou. Ele criticou também políticas neoliberais baseadas na desregulamentação dos mercados, no Estado mínimo e na austeridade fiscal. Segundo ele, o neoliberalismo agravou a desigualdade econômica e a crise política que atingem as democracias.

“Agora, o protecionismo e o unilateralismo ressurgem como respostas falaciosas para a complexidade dos nossos problemas”, afirmou. Lula denunciou que a desigualdade entre países ricos e pobres aumentou nos últimos anos, em meio a uma extrema concentração de riqueza.

Lula também citou a queda histórica de 23% na Ajuda Oficial ao Desenvolvimento no ano passado. Para o presidente, a redução desses recursos afeta diretamente populações de países em desenvolvimento, com impacto sobre alimentação, educação, proteção de mulheres e prevenção de doenças. Ele também criticou os gastos militares anuais, que somam quase US$ 3 trilhões, enquanto países em desenvolvimento transferem US$ 1,4 trilhão por ano em serviço da dívida.

O chefe de Estado brasileiro defendeu um sistema financeiro internacional que não obrigue países a escolher entre pagar credores e alimentar suas crianças. Também citou mecanismos como troca de dívida por ação climática ou investimentos sociais como alternativas para ampliar o espaço fiscal dos países mais vulneráveis.

Ao tratar de tecnologia, Lula afirmou que o acesso à Inteligência Artificial e a outras tecnologias de ponta não pode ficar excluído das parcerias para o desenvolvimento. Ele defendeu que as transições energética e digital não reproduzam padrões históricos de concentração de benefícios econômicos em poucos atores.

Segundo o presidente, países detentores de minerais críticos devem participar das etapas de maior valor agregado da cadeia produtiva, por meio da industrialização, da transferência de tecnologia e da formação de capacidades, conforme suas necessidades nacionais.

 

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