O governador Ratinho Junior (PSD) terá quatro agendas oficiais no Paraná nesta quarta-feira (3), enquanto a deputada federal e pré-candidata ao Senado Gleisi Hoffmann (PT) acumula entregas do governo Lula em saúde, agricultura, mobilidade, energia limpa e sustentabilidade. A disputa pelo Palácio Iguaçu e pelo Senado em 2026 já saiu do discurso e entrou no mapa das obras.
Ratinho deve passar por Curitiba, Tijucas do Sul, Ponta Grossa e Paranaguá. A agenda estadual inclui ordem de serviço, pavimentação, turismo, cultura, regularização fundiária e inauguração de museu.
Em Curitiba, o governador deve assinar a ordem de serviço da Fábrica de Ideias, no Rebouças, com investimento final de R$ 296,5 milhões. A obra está prevista para ocupar a área da antiga fábrica da Brahma/Ambev, com anexos do Museu da Imagem e do Som, do Museu de Arte Contemporânea, espaços de inovação, convivência, gastronomia e um edifício corporativo.
Em Tijucas do Sul, Ratinho deve assinar ordem de serviço de R$ 29,4 milhões para pavimentar 7,4 quilômetros da Estrada Manoel Pereira do Vale, conhecida como Estrada do Saltinho. A pauta também prevê R$ 34 milhões para pavimentação urbana e R$ 15 milhões para a Estrada do Campestre.
Em Ponta Grossa, o governo estadual deve anunciar R$ 7,1 milhões para pavimentar 5,3 quilômetros da Estrada do Buraco do Padre. A agenda inclui ainda R$ 21,3 milhões para a Estrada dos Alagados, convênio para a Ponte Preta, Casa da Mulher Paranaense e entrega de títulos de propriedade.
Em Paranaguá, a Secretaria de Estado da Cultura deve inaugurar o Museu Satélite da Casa Alfredo Andersen, no Centro Histórico. A pauta oficial informa que será a quarta unidade do projeto de descentralização de acervos estaduais, depois de Londrina, Pato Branco e Maringá.
A agenda de Ratinho é administrativa, mas tem leitura eleitoral evidente. O governador aparece em obras que conversam com morador da Região Metropolitana de Curitiba, produtor rural, trabalhador do turismo, setor cultural, prefeitos, vereadores e empresas contratadas.
Do outro lado, Gleisi vem ocupando o Paraná com uma sequência de entregas federais. A presença dela em Foz do Iguaçu, ao lado do prefeito Joaquim Silva e Luna (PL), na revitalização da Avenida Juscelino Kubitschek, foi apenas uma parte desse movimento.
Em Guarapuava, na sexta-feira (29), Gleisi acompanhou a entrega de 30 veículos para transporte de pacientes do Sistema Único de Saúde. Foram 25 micro-ônibus e cinco vans do programa Agora Tem Especialistas, Caminhos da Saúde, com investimento superior a R$ 16 milhões.
A entrega tem impacto direto para municípios distantes dos centros de atendimento especializado. Segundo o Ministério da Saúde, os veículos devem beneficiar cerca de 2,5 milhões de pessoas no Paraná.
O Novo PAC Saúde também virou peça da disputa territorial. O Ministério da Saúde informa que já selecionou 1.644 propostas no Paraná, com R$ 927,3 milhões em obras, equipamentos e veículos para ampliar a rede pública.
Em Ponta Grossa, Gleisi participou da inauguração da primeira fase da reforma da Unidade Armazenadora da Companhia Nacional de Abastecimento. A modernização aumentou a capacidade de estoque de grãos de 180 mil para 300 mil toneladas.
A primeira fase da obra somou R$ 24,5 milhões. A segunda etapa, com ordem de serviço assinada, prevê mais R$ 35 milhões e conclusão até dezembro de 2027. O investimento total chega a R$ 59,5 milhões, com recursos da Itaipu Binacional, da Conab e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos.
Em Ibiporã, Gleisi participou do lançamento do Paraná Circular, programa da Itaipu voltado à reciclagem de resíduos da construção civil. A iniciativa será executada em 84 municípios, com investimento de R$ 8,3 milhões da binacional e meta de reciclar mais de 50 mil toneladas até maio de 2027.
Em Curitiba, Gleisi participou do anúncio de R$ 102 milhões da Itaipu para instalação de placas fotovoltaicas em universidades e instituições públicas. No Paraná, aparecem na lista Universidade Federal do Paraná, Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Universidade Estadual de Londrina, Universidade Estadual do Paraná, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Instituto Federal do Paraná, Universidade Federal da Fronteira Sul e Fafiman.
Na saúde, a agenda federal já tinha passado por Fazenda Rio Grande, com a entrega de 42 veículos para fortalecer o SUS no Paraná. A ação incluiu micro-ônibus do Agora Tem Especialistas, ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência e unidades odontológicas móveis.
Ratinho marca obras enquanto Gleisi cola Lula ao Paraná
Gleisi acompanha entrega de 30 veículos para transporte de pacientes do SUS em Guarapuava. Foto: reprodução [29/05/2026]
Esse conjunto mostra a estratégia de Lula no Paraná. O governo federal tenta dar materialidade à sua presença no estado, com obra, veículo, armazenagem, energia limpa, saúde, universidade, agricultura familiar, mobilidade urbana e sustentabilidade.
Gleisi tenta ser a tradução política dessas entregas. A petista aparece como ponte entre Brasília, Itaipu, ministérios, municípios e programas federais, num estado em que a direita sempre tentou tratar o governo Lula como força distante.
A disputa, portanto, não está só entre Ratinho e a oposição. Ela envolve duas máquinas de entrega: a estadual, comandada pelo Palácio Iguaçu, e a federal, acionada por Lula com Gleisi como principal rosto político no Paraná.
A direita paranaense fica diante de um problema concreto. Enquanto Ratinho entrega agenda estadual e Gleisi cola Lula a investimentos federais, o bolsonarismo e o lavajatismo gastam energia com xingamento, guerra cultural e a tentativa de transformar pressão externa dos Estados Unidos em arma eleitoral.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, pedindo que os Estados Unidos não avancem com nova tarifa contra o Brasil. A carta veio depois de o governo Trump propor tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras.
A conta política respinga no Paraná. Sergio Moro (PL), Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) atuam no mesmo campo político de Flávio Bolsonaro, mas precisam dizer se aceitam transformar Washington em atalho contra a economia brasileira.
Essa cobrança não é abstrata. Tarifa, sanção e incerteza comercial podem atingir exportadores, cooperativas, portos, frigoríficos, setor madeireiro, indústria e empregos formais no Paraná.
A régua precisa ser a mesma para todos. Ratinho deve informar cronograma, empresa contratada, fonte dos recursos, prazo de entrega, aditivos e benefício mensurável de cada obra. Gleisi precisa sustentar as entregas federais com contrato, execução, fiscalização e resultado concreto para a população.
O eleitor paranaense verá em 2026 uma disputa entre obra, presença territorial e retórica de confronto. Quem prometer entrega terá de mostrar contrato; quem pedir ajuda em Washington terá de explicar a conta para o Paraná.
Novo, de Deltan Dallagnol, sente cheiro de enxofre e teme implosão de aliança com PL no Paraná.
Pré-candidatos da direita são cobrados por palanque com Flávio Bolsonaro, associado aos interesses dos EUA e contários aos paranaenses e brasileiros.

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