Uma operação envolvendo auditores fiscais do trabalho, Ministério Público do Trabalho, Polícia Federal e outros órgãos de fiscalização resgatou mais de 40 pessoas em situação análoga à escravidão dentro da sede da igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.
As vítimas viviam em condições degradantes e foram retiradas do local após a força-tarefa identificar irregularidades graves no funcionamento do "espaço religioso".
Segundo as investigações, a estrutura da igreja funcionava também como um suposto centro terapêutico sem autorização legal, licenciamento administrativo ou comprovação técnica dos responsáveis. A Polícia Federal aponta ainda indícios de precariedade nas condições de moradia, segurança e atendimento oferecidos às pessoas que permaneciam no local.
A Vigilância Sanitária interditou toda a área da igreja após a operação realizada na quinta-feira (7). Parte dos resgatados foi encaminhada para espaços de acolhimento organizados pela Secretaria de Direitos Humanos do Maranhão. Alguns trabalhadores permanecerão temporariamente na propriedade para cuidar dos animais mantidos em um haras que funcionava no terreno.
O caso é tratado pelas autoridades como desdobramento de uma primeira diligência feita no fim de abril, quando denúncias já indicavam possíveis violações trabalhistas e outras irregularidades na instituição religiosa. Nos últimos dias, novas testemunhas procuraram a polícia relatando abusos, violência psicológica e supostos castigos físicos.
O líder da igreja, o pastor David Gonçalves Silva, está preso desde o mês passado. Ele é investigado por crimes como estelionato, associação criminosa, estupro de vulnerável e posse sexual mediante fraude. De acordo com os investigadores, a apuração segue em andamento para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer o funcionamento da organização religiosa.
