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Sandro Alex põe Romanelli e Arilson em lados opostos na Alep
Sandro Alex põe Romanelli e Arilson em lados opostos na Alep
Por Administrador
Publicado em 15/04/2026 08:42
POLITICA
Sandro Alex põe Romanelli e Arilson em lados opostos na Alep

Há um pedágio no meio do caminho. No meio caminho tinha um pedágio tinha um pedágio no meio do caminho tinha um pedágio no meio do caminho tinha um pedágio.

O governador Ratinho Junior (PSD) escolheu o ex-secretário de Infraestrutura e Logística Sandro Alex (PSD) para disputar o Palácio Iguaçu e, com isso, jogou no centro da sucessão uma contradição que já estava fermentando dentro da própria base: o principal rosto político do novo ciclo de concessões rodoviárias virou candidato do grupo justamente no momento em que parlamentares governistas, inclusive do PSD, vinham atacando o modelo do pedágio e o sistema free flow nas rodovias paranaenses.

 

Sandro não chega à disputa como um nome qualquer da máquina. Ele foi secretário da Infraestrutura e Logística, é apontado pelo próprio governo como peça central do pacote de obras e de concessões, e seu ativo político, segundo aliados, inclui justamente o pacote de R$ 60 bilhões em concessões rodoviárias. Desde 2019, ele aparece no núcleo duro do ratinhismo.

O problema é que o pedágio voltou a atravessar a política do Paraná com força. Em 27 de março e de novo em 6 de abril, o deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (PSD), líder do partido na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), fez ataques públicos duros ao free flow. Disse que o modelo “nasceu torto”, falou em “indústria da multa” e afirmou que cerca de 6 mil usuários já estavam ameaçados por cobranças e punições em rodovias do estado.

Deputado Anibelli Neto (MDB). Foto: Orlando Kissner/Alep

Foi esse mesmo Romanelli que, na sessão desta terça-feira (14), subiu ao púlpito para celebrar a nova chapa e saudar Alexandre Curi (Republicanos) por ter recuado do governo para compor o arranjo com Sandro Alex. A guinada foi percebida na hora pelo plenário. E veio a ferroada do deputado Antonio Anibelli Neto (MDB), com registrou o Blog do Esmael: “Agora, o que me causa estranheza era a paixão de vossa excelência pelo Guto Silva até ontem e hoje, de repente, muda da água para o vinho declarando completa paixão pelo Sandro Alex. Viva o PSD!”.

Romanelli tentou sair pela lateral. “Olha, na verdade, deputado Anibelli, eu sou um homem de partido”, respondeu. A frase resumiu o tamanho do embaraço. O líder do PSD, que vinha batendo no modelo do pedágio e no free flow, foi empurrado pela lógica interna do governo a defender o principal nome associado a esse ciclo de concessões.

A contradição não parou ali. No mesmo plenário, o deputado Moacyr Fadel (PSD), dos Campos Gerais, mesma região de Sandro Alex, avisou que o escolhido de Ratinho “não terá o apoio desse deputado”. O próprio Blog do Esmael registrou após a sessão a declaração e a reação de Romanelli, que lamentou a dissidência e afirmou que os ausentes “se arrependerão”. A escolha de Sandro, portanto, não unificou o PSD. Apenas reorganizou a guerra interna em torno de outro nome.

Deputado Moacyr Fadel (PSD). Foto: Valdir Amaral

O pano de fundo ajuda a entender o tamanho do curto-circuito. Curi, que até a véspera dizia não ter plano B e insistia na própria pré-candidatura ao governo, recuou nesta terça-feira e aceitou a vaga ao Senado na chapa puxada por Ratinho. O governador, por sua vez, oficializou Sandro depois de dias de fritura de Guto Silva e de pressão crescente na base. O discurso era de unidade. A sessão da Alep mostrou outra coisa: remendo, “desunidos e em guerra”.

É aí que o enredo fica mais interessante para os próximos capítulos. Quando o pedágio voltar à pauta da Alep, e ele vai voltar, o líder da oposição, deputado Arilson Chiorato (PT), presidente do Partido dos Trabalhadores do Paraná, terá um alvo político pronto. E Romanelli, que vinha cobrando correções duras no free flow, precisará escolher em qual trincheira quer ficar: na do crítico do modelo ou na do fiador partidário do homem que encarna esse passivo do governo.

Ratinho escolheu Sandro Alex para tentar fechar a sucessão por dentro. No caminho, expôs uma base que bate no pedágio e abraça o candidato do pedágio na mesma semana. A política, no Paraná, gosta desse tipo de ironia.

Parodiando o poema de Carlos Drummond de Andrade, no meio do caminho tinha um pedágio.

No Meio do Caminho (Versão Pedágio)

No meio do caminho tinha um pedágio.
Tinha um pedágio no meio do caminho.
Tinha um pedágio no meio do caminho.
No meio do caminho tinha um pedágio.

Nunca me esquecerei desse acontecimento.
Na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho.
Tinha um pedágio.
Tinha um pedágio no meio do caminho.
No meio do caminho tinha um pedágio.

Tinha também um funcionário.
E uma fila de caminhões.
E a carteira vazia,
No meio do caminho.

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