Menu
Ratinho arma chapa com Sandro Alex e divide a direita no Paraná
Ratinho arma chapa com Sandro Alex e divide a direita no Paraná
Por Administrador
Publicado em 14/04/2026 14:56
POLITICA
Ratinho arma chapa com Sandro Alex e divide a direita no Paraná

O governador Ratinho Junior (PSD) trabalha com um desenho majoritário que põe o deputado federal Sandro Alex (PSD) na cabeça de chapa, abre a vice para Rafael Greca (MDB) ou Cristina Graeml (PSD), reserva uma vaga ao Senado para Alexandre Curi (Republicanos) e deixa a segunda cadeira em aberto para negociação. Segundo apuração do Blog do Esmael, essa é a costura em andamento depois da escolha de Sandro.

Publicamente, Ratinho disse na segunda-feira (13) que montaria uma chapa completa, com candidato ao governo, vice e dois nomes ao Senado, e a escolha de Sandro foi confirmada naquela noite.

Também há a versão de que Alvaro Dias (MDB) completaria a segunda vaga, em dobradinha com Curi. O ex-secretário Guto Silva (PSD) concorreria à Assembleia Legislativa, enquanto Cristina Graeml tentaria a Câmara Federal.

O arranjo tenta estancar a sangria do grupo governista, mas não entrega o que o Palácio mais precisa neste momento: garantia de segundo turno. A nova Paraná Pesquisas mostrou Sergio Moro (PL) na frente em todos os cenários para o governo, com 46,0% no principal recorte e 52,5% no cenário sem Rafael Greca. Sandro Alex nem sequer foi testado nessa rodada. Em outras palavras, Ratinho trocou o nome, mas ainda não provou que mudou a correlação de forças.

É aí que entra o efeito mais visível da chapa desenhada no Iguaçu: o canibalismo na direita. Se Ratinho empurrar Curi para o Senado, ele colocará em campo mais um nome competitivo no mesmo espaço em que já circulam Deltan Dallagnol (Novo), Filipe Barros (PL), Alvaro Dias e, a depender da composição final, Cristina Graeml.

A pesquisa mostra o tamanho do congestionamento: no primeiro cenário para o Senado, Alvaro tem 44,5%, Deltan 28,2%, Curi 22,9%, Gleisi Hoffmann (PT) 22,5%, Filipe 20,9% e Cristina 15,3%.

No segundo cenário, sem Alvaro, Deltan marca 30,1%, Curi 29,3%, Filipe 25,9%, Gleisi 24,8% e Cristina 17,4%. É voto demais da mesma banda disputando duas cadeiras ao mesmo tempo.

Na prática, a chapa de Ratinho pode até reorganizar a base, mas também pode triturar o próprio campo. Se Greca aceitar a vice, o governador neutraliza um adversário interno. Se Cristina entrar, o PSD incorpora uma vitrine bolsonarista e solta Greca de vez para outro arranjo. Nos dois casos, a engenharia mexe no arranjo da direita, mas não resolve o problema central: Moro continua correndo à frente, e o bloco governista ainda parece mais preocupado em se recompor do que em alcançá-lo.

No Senado, o campo lulista observa esse embaralhamento com um ponto de apoio mais estável. A ex-ministra Gleisi Hoffmann aparece com 22,5%, 24,8% e 24,7% nos três cenários estimulados da Paraná Pesquisas. Não lidera, mas se mantém na disputa enquanto a direita espalha candidaturas em série. Para analistas, isso tem consequência direta: quanto mais nomes bolsonaristas e conservadores dividirem o mesmo eleitorado, maior a chance de a esquerda preservar espaço numa das vagas.

Há outro detalhe que pesa nessa conta. Deltan se apresenta como pré-candidato ao Senado ao lado de Moro, mas sua situação jurídica segue em debate público. O Tribunal Superior Eleitoral cassou seu registro de candidatura em 2023 e afirmou que ele estaria inelegível. Ou seja: ele existe politicamente na pesquisa, mas sua presença efetiva na urna ainda é tema de controvérsia.

O problema imediato da costura de Ratinho está em Alexandre Curi. Segundo informação obtida pelo Blog do Esmael, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná estaria prestes a gravar um vídeo ao lado do governador e de Sandro Alex, sacramentando o acordo. Só que, na manhã de hoje, o próprio Curi reagiu publicamente dizendo que continua pré-candidato ao governo. Ratinho lhe ofereceu a disputa ao Senado como plano B. Portanto, o acordo ainda não está fechado.

Greca é a outra peça pendente. Ele deixou o PSD, foi para o MDB e continua sendo, entre os nomes do antigo campo governista, o que melhor pontua nas pesquisas para o Palácio Iguaçu. Se aceitar a vice, ajuda Ratinho a reduzir o racha. Se recusar, pode aprofundá-lo. O Blog do Esmael já mostrou que, antes da escolha de Sandro, as conversas sobre chapas Curi-Greca e Greca-Curi ganharam corpo justamente no vazio deixado pela hesitação do governador.

O desenho que sai do Palácio Iguaçu, portanto, é menos uma chapa consolidada e mais uma operação de contenção de danos. Ratinho tenta montar uma maioria para não perder a própria base, mas ainda não demonstrou força para tirar Moro da dianteira. Se a costura andar, pode produzir unidade administrativa. Se der errado, vai apenas espalhar mais candidatos de direita na mesma faixa de eleitorado e acelerar o racha que o Blog do Esmael vem narrando há meses.

Comentários
Comentário enviado com sucesso!

Chat Online