Após a nova Paraná Pesquisas expor a fraqueza eleitoral de Guto Silva (PSD), o governador tenta fechar a crise da sucessão no Paraná, enquanto avançam nos bastidores as conversas por uma chapa Alexandre Curi (Republicanos)-Rafael Greca (MDB), ou o inverso.
O governador Ratinho Junior (PSD) prometeu anunciar até quinta-feira (16) o nome que bancará para sua sucessão no Palácio Iguaçu, mas a fala chegou no pior momento para o pupilo do Planalto estadual: Guto Silva (PSD) saiu da nova rodada da Paraná Pesquisas sem sinal de arrancada e virou alvo aberto de pressão para desistir da pré-candidatura. Ratinho disse, após evento na Associação das Emissoras de Radiodifusão do Paraná (AERP), que o nome já está decidido e será apresentado ainda nesta semana.
Pela leitura do próprio governador, o anúncio teria força para mexer nas pesquisas. O problema é que a sondagem divulgada nesta segunda-feira (13) mostrou o oposto do que o Palácio precisava para empurrar Guto. No principal cenário estimulado, Sergio Moro (PL) aparece com 46,0%, Rafael Greca (MDB) com 19,7%, Requião Filho (PDT) com 17,7% e Guto Silva para em 3,6%. Tony Garcia (DC), que entrou no teste, marca 1,5%.
No cenário mais enxuto, o retrato continua ruim para o preferido de Ratinho. Moro vai a 52,5%, Requião Filho fica com 22,9%, Guto sobe só até 5,9% e Tony Garcia registra 2,3%. Ou seja: mesmo com máquina, cargo, estrutura e tempo de pré-campanha, o secretário das Cidades segue preso em faixa de um dígito.
“Com uma semana de pré-campanha já estou empatado tecnicamente com o candidato de Ratinho Júnior, que já está em campanha há dois anos, com máquina, estrutura. Nós vamos ganhar a eleição”, declarou Tony Garcia, que se apresenta como anti-Moro. “Na próxima pesquisa, minha pré-candidatura estará elegível para obter apoio do governador”, concluiu.
A contradição ficou mais visível porque Ratinho segue forte como governador. A mesma pesquisa mostra 83,8% de aprovação da administração estadual. O abismo entre a popularidade do chefe e a fraqueza do herdeiro tornou a escolha desta semana menos um gesto de rotina e mais um teste de autoridade política.
É aí que a pressão interna sobe. No Centro Cívico e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), a avaliação recolhida pelo Blog do Esmael é que a demora do governador abriu espaço para dispersão, aumentou a vulnerabilidade do Palácio diante das bancadas e deixou a base em modo de sobrevivência. Em linguagem simples: deputados e operadores começaram a temer o esvaziamento do grupo governista se Ratinho insistir num nome que não consegue decolar.
O fim de semana já havia deixado esse movimento exposto. Como publicou o Blog do Esmael, avançam nos bastidores as conversas por uma chapa Alexandre Curi (Republicanos)-Rafael Greca (MDB), ou Rafael Greca-Alexandre Curi, dentro de uma frente de centro-direita dissidente do Palácio Iguaçu. O raciocínio desse bloco é direto: se o governador não arbitrar rápido a sucessão, outros vão arbitrar por ele.
A própria pesquisa ajuda a explicar por que Curi e Greca ganharam densidade no debate. Greca é o nome do campo governista que melhor rende contra Moro, com 19,7% em um cenário e 21,4% em outro. Curi, quando testado para o governo, aparece com 11,7%, bem acima de Guto. Não resolve o problema do Palácio, mas mostra que a fila da sucessão já se reorganiza longe do desenho original do governador.
Nos bastidores, a pressão para que Guto recue tem uma lógica cruel. Se Ratinho anunciar outro nome até quinta-feira, tentará vender o gesto como reorganização de rota. Se insistir no ex-secretário, depois de um resultado tão fraco, corre o risco de passar a imagem de isolamento dentro do próprio grupo. Foi exatamente esse alerta que o Blog do Esmael já havia registrado no sábado, quando mostrou que o governador perdera o timing de arbitrar a disputa e deixara a máquina em rearranjo enquanto os adversários já testavam palanques.
A promessa de anúncio até quinta-feira, portanto, caiu numa encruzilhada. Ratinho ainda tem aprovação, caneta e peso institucional. Mas agora precisa provar que ainda tem comando sobre a sucessão. Se não reorganizar a base nesta semana, a corrida começará a ser decidida cada vez mais fora do Palácio Iguaçu, com Moro na dianteira e a chapa Curi-Greca, ou Greca-Curi, crescendo no vácuo do governismo.