O governador Ratinho Junior (PSD) entra na segunda-feira (6) mais pressionado a arbitrar a própria sucessão depois do fechamento da janela partidária, que encerrou em sábado (4) os prazos de filiação, domicílio eleitoral, registro de estatutos e desincompatibilização de ocupantes do Executivo.
No Paraná, a trava do calendário coincidiu com a saída de Alexandre Curi do PSD, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), rumo ao Republicanos e com a decisão do Palácio Iguaçu de empurrar a escolha do nome governista para depois da janela.
É isso que muda a temperatura desta manhã. Até a semana passada ainda havia espaço para ensaio, teste de balão e pressão de bastidor. A partir de segunda-feira (6), a conversa fica mais concreta porque o relógio eleitoral já andou e algumas portas se fecharam. O prefeito Eduardo Pimentel (PSD) descartou entrar na disputa, e o senador Sergio Moro (PL) largou a janela com vantagem nas simulações divulgadas pela AtlasIntel no Paraná.
A ALEP desta segunda-feira não é a mesma da semana passada. A recontagem preliminar feita pelo Blog do Esmael indica que o PL, legenda do senador Sergio Moro, chega a 12 cadeiras na ALEP. A oposição liderada pela Federação Brasil da Esperança soma oito.
Essa conta interessa porque, na Assembleia, bastam 18 assinaturas para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Em outras palavras, o novo arranjo deixa temas incômodos bem mais próximos do plenário.
Os temas são espinhosos. Estão no radar preliminar da ALEP a CPI do Tayayá, a CPI da Ligga Telecom, a CPI do Olho Vivo, a CPI do PoupaTempo e a CPI da Sanepar.
A mais simbólica, no momento, é a do Tayayá. Ela resume o novo humor da Casa: uma ALEP menos sujeita ao comando vertical do Executivo e mais aberta a testar os limites políticos do governador em fim de ciclo.
A CPI do Tayayá interessaria porque ela encostaria o Palácio Iguaçu num caso que mistura licença estadual, disputa ambiental, conexões empresariais explosivas e desgaste direto sobre o entorno político de Ratinho, justamente quando o governador já perdeu parte do controle da própria base na ALEP.
O problema de Ratinho não é apenas escolher um nome. É impedir que a base chegue rachada à largada real de 2026. Alexandre Curi formalizou sua disposição para disputar o governo, Rafael Greca (MDB) voltou a se colocar no páreo e o próprio entorno do governador admitiu que a definição pode ficar para as convenções de agosto. A segunda-feira, portanto, abre uma contabilidade política objetiva: quem ficou com Ratinho, quem passou a negociar por fora e quem já se move olhando para Moro.
Segundo apuração do Blog do Esmael, a solução Guto Silva não desagrada apenas os partidos que até aqui orbitavam Ratinho e agora buscam voo próprio. Ela também provoca ruído na bancada do PSD, onde parte dos deputados olha para Guto, enquanto outra parte se aproxima de Alexandre Curi, presidente da ALEP, hoje instalado no Republicanos.
Esse detalhe é central. A eventual candidatura de Guto deixaria de ser apenas uma aposta de Ratinho e passaria a funcionar como fator de divisão do grupo governista dentro da própria Assembleia.
Segundo o Blog do Esmael, se Ratinho insistir em Guto Silva, a tendência é de que a União Progressista se incline a assinar pedido de CPI na ALEP. O que era conversa de bastidor pode virar pressão institucional efetiva.
Além disso, o deputado Ricardo Barros (PP), mandachuva da federação União Progressista, não descarta apoiar Moro, se a solução de Ratinho for Guto Silva.
Para o leitor, há também um dado de serviço que não pode passar batido. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informa que 6 de abril é o último dia para eleitoras e eleitores domiciliados no Brasil, sem biometria válida, pedirem alistamento, transferência e revisão pelo autoatendimento na internet. Já o prazo geral para solicitar título, transferir local de votação e revisar cadastro vai até 6 de maio.
No Paraná, fora da guerra sucessória, a segunda-feira também começa com Curitiba de olho na educação. O Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (SISMMAC) convocou assembleia online para deliberar sobre proposta enviada pela prefeitura no domingo (5), às vésperas da greve marcada para terça-feira (8). A pauta pode empurrar a crise da educação municipal para o topo da agenda política da capital.
No Brasil, a ressaca da janela partidária chega ao Congresso com rearranjo de forças. Na última atualização do Blog do Esmael antes do fechamento, ao menos 37 deputados haviam trocado de partido na Câmara, com avanço do PL e perdas do União Brasil. Em paralelo, o Senado já recebeu a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), e a semana começa sob expectativa de definição de relatoria, sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e votação em plenário.
Ainda em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já amarrou uma peça central de 2026 ao confirmar Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice. O movimento veio junto da rodada de trocas ministeriais exigida pelo calendário eleitoral, sinal de que o Planalto também saiu da fase de aquecimento e entrou na fase de montagem formal de chapa e palanques.
No mundo, a segunda-feira abre sob o peso da guerra no Oriente Médio e do petróleo. A Reuters informou que o Brent recuava para US$ 107,11 no começo do dia, depois de forte alta na sessão anterior, em meio à incerteza sobre uma proposta de paz entre Estados Unidos e Irã. O Estreito de Ormuz seguia amplamente fechado, e a OPEP+ aprovou um aumento modesto de produção que, por ora, pouco altera o aperto real da oferta.
Esse quadro já bate no bolso brasileiro. A Petrobras anunciou aumento de 54,8% no querosene de aviação em abril e permitiu parcelamento de parte do reajuste para distribuidoras. Em outras palavras, a guerra segue longe no mapa, mas já entrou na conta da inflação, do transporte e das passagens.
Portanto, a manhã desta segunda-feira não é de comemoração para ninguém no Paraná. É de balanço, ajuste de posição e leitura fria de força. A janela fechou, o prazo correu, e o que era manobra virou responsabilidade política.