Na última sexta-feira, 27, o ex-pároco da Paróquia de Nossa Senhora dos Navegantes, na Ilha dos Valadares, em Paranaguá, padre Binu Joseph Chollackal, foi condenado a dois anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de importunação sexual contra fiéis.
A condenação ocorreu após investigações que apontaram abusos cometidos durante momentos de oração. Inicialmente denunciado em outubro de 2025, o caso ganhou repercussão e levou outras vítimas a procurarem o Ministério Público do Paraná (MPPR), relatando situações semelhantes. A sentença foi proferida cerca de cinco meses após a divulgação pública do caso.
Advogados de defesa ressaltam que irão ocorrer e salientam inocência de padre Binu
Em nota assinada pelos advogados de padre Binu Joseph, Giordano Sadday Vilarinho Reinert, Rafael Stelle, Luiz Eduardo Goldman e Luiz Roberto Falcão nesta terça-feira, 31, a defesa se posicionou sobre a condenação. “Em razão dos diversos noticiários, publicações e comentários em redes sociais havidos após a divulgação de uma decisão de primeira instância, logo após a publicação da mesma, na data de 27/03/2026, bem como, diante da matéria publicada no sítio eletrônico oficial do MPPR na data de 30/03/2026, inclusive como áudio fornecido pela Promotora de Justiça comentando detalhes processuais, a Defesa do Sacerdote Binu Joseph atesta que o referido processo continua em segredo de Justiça, o qual foi requerido pelos próprios Promotores de Justiça signatários da denúncia e decretado pelo Juiz de Direito na data de 20/10/2025, nos exatos termos do art. 234-B do Código Penal”, informa.
“Diante deste fato, esta Defesa entende que exposição midiática do assunto pode ser prejudicial para as partes e para o próprio processo penal, sem contar as possíveis sanções criminais, cíveis e administrativas aos responsáveis, razões estas, mais do que suficientes para adoção de cautela e bom senso no trato das informações, bem como, todas as questões serão dirimidas pelo Poder Judiciário. Aliás, e inobstante tenha havido uma decisão desfavorável em primeiro grau de jurisdição, é certo que o referido processo não transitou em julgado, e haverá recurso de apelação com o objetivo de revisar a sentença e garantir o duplo grau de jurisdição, permitindo eventual reforma ou até mesmo a anulação da mesma. E enquanto não houver o deslinde processual até o trânsito em julgado definitivo, o Padre Binu continuará cumprindo todas as determinações judiciais em liberdade, em profundo respeito à Lei e às instituições brasileiras”, ressalta a nota da defesa do sacerdote.
“Por fim, esta Defesa continua com a plena e absoluta convicção que o Padre Binu Joseph se trata de um Sacerdote probo, que nunca pactuou com qualquer tipo de irregularidade ou ato ilícito durante toda a sua vida particular, pública e eclesiástica. Ademais, reafirma-se que seu trabalho de fé sempre foi pautado no mais estrito cumprimento da legalidade, da moralidade e da ética”, finaliza a nota.
MPPR ressalta que irá interpor recurso pedindo o aumento de pena
Na segunda-feira, 30, o Ministério Público do Paraná (MPPR) se posicionou sobre o caso em nota, ressaltando a condenação do padre a dois anos e 11 meses de prisão pelo crime de violação sexual mediante fraude. “A decisão decorre de ação penal movida pelo Ministério Público do Paraná, por meio da 3.ª Promotoria de Justiça da comarca, relacionada a um caso ocorrido em fevereiro de 2022, nas dependências de uma igreja localizada na Ilha dos Valadares, em Paranaguá. O MPPR pretende interpor recurso, buscando o aumento da pena”, informa.
“De acordo com a sentença, o sacerdote se aproveitou da posição de confiança e da autoridade inerente à sua função religiosa para praticar atos de natureza sexual contra a vítima. A denúncia do MPPR aponta que o abuso ocorreu durante um suposto atendimento espiritual, momento em que o condenado utilizou meios fraudulentos que comprometeram a livre manifestação de vontade da mulher”, informa a assessoria do MPPR, que disponibilizou áudio da promotora de Justiça do caso, Simone Berci Françolin, em seu site: https://mppr.mp.br/Noticia/Padre-denunciado-pelo-MPPR-e-condenado-quase-tres-anos-de-prisao-pelo-crime-de-violacao .
“A decisão judicial é fundamentada em um sólido conjunto de provas, que incluiu o relato firme e coerente da vítima, corroborado por depoimentos de testemunhas e documentos, como fotografias do local e imagens extraídas das redes sociais da paróquia à época dos fatos”, informa o texto do Ministério Público.
Segundo o MPPR, “durante o andamento do processo, o juízo rejeitou todas as justificativas apresentadas pela defesa do réu”, salienta. “A tese de que os atendimentos aos fiéis ocorriam exclusivamente em uma área aberta, na nave da igreja, foi descartada pelas fotos e documentos anexados aos autos. Da mesma forma, a alegação de que havia um distanciamento rigoroso em respeito aos protocolos sanitários da Covid-19 foi refutada com base em registros fotográficos do período, que evidenciavam aglomerações. Além disso, a tentativa de negar qualquer contato físico em atendimentos foi afastada após testemunha de defesa afirmar a ocorrência de toques durante os encontros religiosos”, acrescenta.
“Apesar de o réu ser primário, a Justiça determinou o cumprimento da pena em regime inicial semiaberto. A escolha por um regime mais rigoroso foi justificada pelas circunstâncias judiciais desfavoráveis, especialmente pela gravidade concreta da conduta e pelo abuso da confiança depositada nele como líder espiritual. A sentença também estipulou o pagamento de uma indenização mínima de R$ 1,5 mil à vítima, valor que ainda passará por correção monetária. Atualmente, encontram-se vigentes contra o padre medidas cautelares diversas da prisão, entre elas o recolhimento do passaporte do réu e o seu afastamento da função. O descumprimento dessas restrições implicará a decretação de sua prisão”, finaliza o MPPR, destacando que o processo está registrado sob o n.º 0001772-07.2025.8.16.0129.
Com informações do MPPR e defesa de padre Binu Joseph