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Ratinho dá novo passo ao bolsonarismo ao filiar Cristina Graeml no PSD
Ratinho dá novo passo ao bolsonarismo ao filiar Cristina Graeml no PSD
Por Administrador
Publicado em 01/04/2026 09:14
POLITICA
Ratinho dá novo passo ao bolsonarismo ao filiar Cristina Graeml no PSD

O governador Ratinho Junior (PSD) filiou a jornalista Cristina Graeml ao PSD na noite de terça-feira, 31 de março, num movimento que mexe com a sucessão de 2026 no Paraná e empurra mais um pedaço do grupo palaciano para a órbita bolsonarista. Ex-candidata ao segundo turno da Prefeitura de Curitiba, Cristina deixou o União Brasil e entrou no partido do governador depois de passar pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB) e pelo Podemos.

No vídeo publicado no Instagram, Ratinho procurou enquadrar a filiação no vocabulário clássico da direita, ao falar em “valores de família, liberdade econômica, propriedade privada, liberdade de imprensa” e convidar Cristina para “pensar o Paraná do futuro”. Cristina respondeu no mesmo tom, dizendo que está no “início de jornada política”, que “a gente tem que ir construindo alianças” e que as antigas posições opostas na eleição municipal precisavam ceder lugar a “um projeto maior”.

Ela enfrentou o prefeito Eduardo Pimentel (PSD) no segundo turno de 2024, numa disputa duríssima, marcada por forte desgaste político. A filiação de Cristina Graeml ao PSD, com o aval de Ratinho Junior, tende a gerar desconforto no entorno de Pimentel e pode complicar, no futuro, um eventual projeto de reeleição em 2028.

Eduardo Pimentel e Cristina Graeml se enfrentam no segundo turno.
Eduardo Pimentel e Cristina Graeml se enfrentaram no segundo turno das eleições de 2024, em Curitiba.

O gesto da filiação de Graeml tem endereço político. Uma semana antes, o senador Sergio Moro se filiou ao PL para disputar o governo do Paraná, em ato com apoio de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na ocasião, o campo de Moro já saiu desenhado com duas apostas ao Senado, o deputado Filipe Barros (PL) e o ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), o que, aparentemente, estreitou o espaço para Cristina naquele arranjo.

Por isso, a troca de partido diz menos sobre Cristina e mais sobre Ratinho. Ao puxá-la para o PSD, o governador dá um passo em direção a Moro e começa a montar uma convivência com o palanque bolsonarista no Paraná. Como Deltan segue inelegível, Cristina passa a caber, ao menos em tese, na costura de Senado desse mesmo campo, hoje liderado por Moro e Flávio Bolsonaro.

A operação, porém, veio com custo imediato. Nos comentários do vídeo, repetem-se cobranças como “perdeu meu voto”, “PSD não”, “centrão”, “agora só nos restam Deltan” e “Moro governador”, além de críticas diretas a Gilberto Kassab e à aproximação com Ratinho. Também aparecem mensagens de apoio, mas o ruído predominante é de estranhamento entre eleitores que viam Cristina Graeml como nome mais alinhado ao bolsonarismo do que ao centrão.

Essa aproximação de Ratinho com Moro e com o bolsonarismo já havia sido sinalizada pelo Blog do Esmael na tarde de terça-feira (31), quando revelou que o marqueteiro do governador, o argentino Jorge Gerez, dono da Lua Propaganda, poderá assumir a coordenação-geral da campanha de Flávio Bolsonaro.

O desconforto faz sentido político. Cristina Graeml saiu do PMB após a eleição municipal de 2024, filiou-se ao Podemos em fevereiro de 2025 com pré-candidatura ao Senado e migrou para o União Brasil em setembro do mesmo ano, ao lado de Moro. Agora, menos de sete meses depois, troca novamente de legenda para desembarcar no PSD de Ratinho. A velocidade das mudanças ajuda a explicar por que parte da própria base conservadora passou a cobrar coerência no primeiro dia da nova filiação.

Ao mesmo tempo, o campo de Ratinho continua rachado. Rafael Greca (MDB) reafirmou a pré-candidatura ao governo, Alexandre Curi deixou o PSD e deve formalizar nesta quarta (1º) a ida ao Republicanos, e Requião Filho (PDT) segue como nome da frente formada com a Federação Brasil da Esperança, integrada por PT, PCdoB e PV. Cristina Graeml entra no PSD, portanto, num cenário em que nada está pacificado nem dentro do antigo grupo governista.

Portanto, Ratinho não filiou apenas uma ex-adversária de Curitiba. Filiou uma peça para se achegar a Moro, continuar pesando na sucessão do Paraná e não perder contato com o bolsonarismo. O primeiro termômetro público do movimento, porém, veio com ruído: no eleitorado que via Cristina Graeml como nome da extrema direita, muita gente tratou a operação como rendição ao centrão.

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