O Instituto Paraná Pesquisas registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na terça-feira (10), uma nova pesquisa sobre a disputa de 2026 no Paraná para os cargos de governador e senador. O levantamento, de número PR-04994/2026, começa a ser coletado nesta quarta-feira (11), segue até sábado (14) e poderá ser divulgado na segunda-feira (16).
A pesquisa terá 1.640 entrevistas presenciais, domiciliares e pessoais em todo o estado, com margem de erro estimada de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos e grau de confiança de 95%. O custo informado ao TSE é de R$ 35 mil, com recursos próprios do próprio instituto, que aparece ao mesmo tempo como contratante e pagante.
O dado político mais importante, neste momento, não é o resultado, porque a pesquisa ainda está em campo, mas sim o cardápio de nomes que o instituto pôs à prova na briga pelo Palácio Iguaçu e pelas duas vagas ao Senado.
Na disputa pelo governo do Paraná, o questionário inclui, em um primeiro cenário estimulado, Alexandre Curi (PSD), Giacobo (PR), Guto Silva (PSD), Luiz França (Missão), Rafael Greca (PSD), Requião Filho (PDT) e Sergio Moro (União). Em cenários alternativos, o levantamento retira alguns nomes para medir a redistribuição do eleitorado, especialmente dentro do campo da direita e do grupo político que hoje orbita o governador Ratinho Junior (PSD).
O racha na base de Ratinho Junior deixou de ser ruído lateral. Com risco de debandada até 20 de março, a guerra entre os três pré-candidatos do PSD ao Palácio Iguaçu compromete a continuidade do grupo governista, salvo uma acomodação de última hora.
O desenho mostra que o Paraná Pesquisas quer medir não apenas quem larga na frente, mas também quem herda votos caso certos pré-candidatos fiquem pelo caminho. É um teste importante num estado em que a sucessão de Ratinho Junior ainda está em aberto e depende da acomodação entre aliados, dissidentes e candidaturas avulsas.
Para o Senado, o instituto testa Alexandre Curi, Alvaro Dias (MDB), Cristina Graeml (União), Filipe Barros (PL) e Gleisi Hoffmann (PT). Como a eleição de 2026 escolherá dois senadores pelo Paraná, o questionário pergunta também quem seria a segunda opção do eleitor. Depois, o instituto roda um novo cenário sem Alvaro Dias, novamente com primeiro e segundo voto.
Esse recorte tem peso político. A presença de Alvaro Dias e a simulação de um cenário sem ele ajudam a medir se o ex-senador ainda conserva musculatura própria ou se parte de seu eleitorado já migrou para nomes mais identificados com a direita bolsonarista, como Filipe Barros e Cristina Graeml. Ao mesmo tempo, a inclusão de Gleisi Hoffmann serve para aferir o tamanho do campo lulista numa eleição majoritária estadual.
O questionário também liga o cenário paranaense ao quadro nacional. Para a Presidência da República, o instituto testa Aldo Rebelo (DC), Flávio Bolsonaro (PL), Lula (PT), Ratinho Junior, Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Tereza Cristina (PP). Na prática, a sondagem mede também o potencial de Ratinho como nome nacional e o peso da disputa presidencial sobre a sucessão estadual.
Além das intenções de voto, a pesquisa mede a avaliação dos governos de Lula e de Ratinho Junior, tanto na escala de ótimo a péssimo quanto em aprovação e desaprovação. O formulário inclui ainda uma pergunta sobre participação recente em celebração religiosa, dado que costuma ser usado para refinar o perfil do eleitorado em temas de comportamento e valores.
Na parte técnica, o plano amostral informa seleção em três etapas, com sorteio probabilístico de municípios e localidades e quotas proporcionais por sexo, idade, escolaridade e renda. O documento também informa que pelo menos 30% dos questionários passarão por verificação posterior da equipe de qualidade.
A nova sondagem também chega sob a sombra de um precedente recente. A pesquisa anterior do Paraná Pesquisas sobre a disputa no Paraná, contratada pelo PL, teve a divulgação suspensa liminarmente pelo TRE-PR após ação do PSB vinculada ao deputado federal Luciano Ducci (PSB-PR), presidente estadual da legenda.
Na prática, o registro da pesquisa já entrega uma fotografia preliminar de quem está no radar real de 2026 no Paraná. Mesmo sem divulgar números, o questionário revela quais nomes o instituto considera competitivos e quais cenários podem reorganizar a disputa. No Paraná, onde a direita entra em campo com vantagem estrutural, a batalha decisiva pode não ser apenas por liderança, mas por quem conseguirá unificar mais pedaços do mesmo eleitorado. Continue acompanhando os bastidores da política.