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STF abre frente contra esquema de emendas que atinge o PL
STF abre frente contra esquema de emendas que atinge o PL
Por Administrador
Publicado em 10/03/2026 14:24
POLITICA
STF abre frente contra esquema de emendas que atinge o PL

 O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), começou a julgar nesta terça-feira (10), na Primeira Turma, uma ação penal que atinge em cheio o Partido Liberal (PL) e recoloca no centro de Brasília a disputa sobre emendas parlamentares, transparência e captura política do dinheiro público. A acusação sustenta que parlamentares do partido e aliados cobraram propina para liberar recursos de saúde a um município do Maranhão.

No banco dos réus estão o deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA), o deputado federal Pastor Gil (PL-MA) e o ex-deputado federal Bosco Costa (PL-SE), além de outros cinco denunciados. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), os três formariam o “núcleo central” de uma organização criminosa voltada à cobrança de vantagem indevida sobre emendas destinadas a São José de Ribamar (MA).

A cifra é politicamente explosiva. De acordo com a denúncia, o grupo teria exigido R$ 1,6 milhão em propina para liberar cerca de R$ 6,6 milhões a R$ 6,67 milhões em emendas parlamentares para a área da saúde, algo em torno de 25% do total repassado. O caso ganhou peso porque não trata apenas de corrupção clássica. Ele encosta no mecanismo que substituiu, com nova embalagem, a lógica do orçamento secreto, isto é, o uso de verbas públicas como instrumento de mando político nos municípios.

Para o Blog do Esmael, aí está o ponto central da história. Emenda não é detalhe contábil. Em muitos rincões, ela virou ferramenta de poder local, moeda de pressão sobre prefeitos e alavanca de construção de currais políticos. Quando o Supremo põe o dedo nesse sistema, não está apenas julgando três nomes. Está cercando uma engrenagem que ajudou a consolidar o bolsonarismo parlamentar no território, na relação direta com prefeituras e bases regionais.

A mídia tradicional também destacou na manhã de hoje que o STF julgava deputados do PL por suspeita de propina em emendas e resumiu o coração da denúncia: a cobrança de R$ 1,6 milhão para liberar R$ 6,6 milhões em recursos. O processo foi descrito por esses veículos como uma das ações mais avançadas no Supremo sobre supostas irregularidades ligadas à destinação de emendas.

A PGR endureceu o tom na sessão. Em nota divulgada nesta terça-feira (10), o Ministério Público Federal (MPF) reiterou o pedido de condenação de oito réus por organização criminosa e corrupção passiva. Segundo o órgão, houve uma estrutura com divisão de tarefas entre 2019 e 2021 para repassar emendas a municípios maranhenses mediante a cobrança de propina. O subprocurador-geral Paulo Jacobina afirmou que as verbas desviadas atingiam a saúde pública e, por isso, exigiam resposta firme do Judiciário.

A defesa, por sua vez, nega as acusações. Josimar Maranhãozinho sustenta que a denúncia é frágil. Bosco Costa afirma que a imputação se apoia em diálogos de terceiros e anotações sem relação com ele. Já os advogados de Pastor Gil questionam a legalidade das provas e alegam atipicidade da conduta imputada ao deputado.

O julgamento foi reservado para três sessões, duas nesta terça-feira (10) e uma na manhã de quarta-feira (11). O rito prevê leitura do relatório, manifestação da acusação, sustentações da defesa e, depois, os votos dos ministros. A análise ocorre na AP 2670, derivada do Inquérito 4870.

O caso tem uma camada institucional que vai além dos autos. Depois da derrubada formal do orçamento secreto e da tentativa do Congresso de reacomodar a distribuição de verbas sob outras rubricas e arranjos, o Supremo segue como ator central da disputa pela rastreabilidade do dinheiro. Esse julgamento funciona, portanto, como aviso político: não basta mudar o nome da engrenagem se a lógica continuar a mesma.

Para o PL, o dano é duplo. No plano jurídico, o partido vê quadros importantes expostos numa ação penal por corrupção passiva e organização criminosa. No plano político, a legenda volta a ser associada a um modelo de poder que mistura moralismo de palanque com uso opaco da máquina pública nos bastidores. Isso pesa ainda mais num momento em que a direita tenta se vender como alternativa de ordem e eficiência para 2026.

O que está em teste no Supremo não é apenas a responsabilidade de três parlamentares. É a capacidade das instituições de interromper o circuito pelo qual verba pública, mando local e interesse partidário se confundem no mesmo balcão. 

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