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PSD aperta Ratinho e antecipa decisão presidencial
PSD aperta Ratinho e antecipa decisão presidencial
Por Administrador
Publicado em 09/03/2026 09:00
POLITICA
PSD aperta Ratinho e antecipa decisão presidencial

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, encurtou o tempo de espera do governador Ratinho Junior (PSD-PR) ao antecipar para 31 de março a definição sobre o nome que o partido levará à disputa presidencial de 2026. A decisão acelera o relógio político no Paraná, pressiona o Palácio Iguaçu a escolher rumo e abre uma semana decisiva de conversas entre o governador, o PL e os aliados locais.

Segundo fontes em Brasília, o PSD resolveu bater o martelo ainda em março e mantém três nomes no páreo, Ratinho Junior, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, numa tentativa de dar musculatura nacional à sigla antes que o calendário eleitoral aperte de vez. Kassab já vinha sustentando a tese de candidatura própria, e a antecipação do prazo mostra que o partido decidiu sair da zona de conforto e cobrar definição dos seus presidenciáveis.

No Paraná, a consequência é imediata. A nova rodada do Datafolha, ao consolidar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como nome competitivo da direita, reduziu a margem de manobra de Ratinho e aumentou o poder de barganha do PL sobre o palanque estadual. A convivência entre um projeto presidencial próprio do PSD e a estratégia bolsonarista no estado ficou mais difícil.

A leitura nos bastidores é que, em uma disputa presidencial polarizada, a direita paranaense tende a migrar para o voto útil no nome mais competitivo contra o presidente Lula (PT), hoje Flávio Bolsonaro. Se esse movimento ganhar corpo, uma eventual candidatura de Ratinho Junior pode perder força justamente no reduto em que o governador esperava largar com vantagem.

O Blog do Esmael apurou que uma eventual candidatura de Ratinho ao Planalto desajustaria o arranjo que o bolsonarismo vinha imaginando para o Paraná. Nesse cenário, Flávio precisaria de novo parceiro local para sustentar seu palanque no estado, e a direita começaria a testar saídas paralelas sem depender do comando direto do governador.

Uma dessas saídas já circula nas articulações. O Republicanos foi procurado para ajudar a montar uma alternativa com o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), ao governo, o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), que pode migrar para o Democracia Cristã (DC), na vice, e o ex-senador Alvaro Dias (MDB) ao Senado, formando base para Flávio no estado. O ponto politicamente mais relevante é que Curi e Greca seguraram a pressa e avisaram que aguardam antes a decisão de Ratinho.

Também foi oferecido ao bolsonarismo o nome do senador Sergio Moro (União), mas essa via carrega atritos antigos e difíceis de apagar. Moro se tornou personagem incômodo para o entorno de Valdemar Costa Neto desde os anos da Lava Jato, período em que o atual presidente do PL viu seu nome associado ao desgaste judicial do mensalão.

Depois, já no governo Jair Bolsonaro, Moro entrou em choque com o núcleo familiar ao denunciar pressão sobre a Polícia Federal, especialmente em torno do comando da superintendência do Rio de Janeiro, reduto político da família e ponto sensível para Flávio Bolsonaro. Além disso, em 2022, o PL do Paraná pediu à Justiça Eleitoral a cassação do ex-juiz por caixa dois e abuso do poder econômico na disputa pelo Senado. Essa memória pesa quando a direita tenta definir quem pode servir de palanque confiável sem abrir nova guerra interna.

Se Ratinho desistir da corrida presidencial, o foco volta inteiro para a sucessão estadual. Nesse desenho, o governador tende a investir no nome do secretário Guto Silva (PSD), tratado no entorno palaciano como herdeiro político. O problema é que esse plano encontra resistência crescente dentro da própria base. O Blog do Esmael apurou que Alexandre Curi e Rafael Greca já avisaram ao Palácio Iguaçu que não embarcarão automaticamente nessa transição.

A dificuldade não para na cúpula. Segundo apuração do Blog do Esmael, prefeitos de oito das dez maiores cidades do Paraná avisaram ao governo que não têm ambiente político para participar de um eventual lançamento de Guto, porque mantêm compromissos e relações com Curi e Greca. Soma-se a isso a cobrança de gestores municipais sobre “prioridades em aberto” deixadas pela Secretaria das Cidades durante a passagem de Guto pela pasta.

Por isso a semana ganhou peso específico. Ratinho Junior deve conversar nas próximas horas com Alexandre Curi, numa tratativa considerada decisiva para medir até onde ainda existe unidade no PSD. A expectativa no meio político é que o governador possa até liberar Curi para buscar outro caminho partidário, construindo uma alternativa própria em paralelo à eventual candidatura de Guto. Também é aguardada em Brasília uma conversa de Ratinho com Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto para discutir o palanque presidencial e a sucessão paranaense.

O encurtamento do prazo pelo PSD transformou uma ambiguidade útil em dilema real. Ratinho já não administra apenas a própria vontade. Ele administra a ansiedade de Kassab, a pressão do bolsonarismo e a movimentação de uma base que começou a testar outros arranjos.

Ratinho entrou numa encruzilhada que já não permite manobra sem custo. Se correr para Brasília, perde parte do controle sobre a sucessão no Paraná. Se recuar para o jogo local, encontrará um campo menos disciplinado do que o Palácio Iguaçu imaginava.

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