O caso envolvendo o senador Carlos Viana na presidência da CPMI que investiga irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) levanta uma questão básica sobre credibilidade e conflito de interesses.
Se um parlamentar responsável por conduzir uma investigação aparece na lista telefônica de um personagem ligado ao escândalo, como Alexandre Vorcaro, a primeira coisa que se espera é transparência absoluta. Não é uma questão de culpa automática — mas de legitimidade. Uma investigação desse tamanho exige independência total e, principalmente, confiança pública.
Quando o presidente da comissão aparece conectado, ainda que indiretamente, a figuras citadas nas apurações, surge uma sombra inevitável sobre todo o processo. A pergunta que fica não é apenas jurídica, é política e moral: quem investiga precisa estar acima de qualquer suspeita.
A sociedade brasileira já viu CPIs suficientes terminarem em pizza. O mínimo que se espera agora é rigor, transparência e coerência. Se houver qualquer possibilidade de conflito de interesses, a atitude mais responsável seria o afastamento da condução dos trabalhos até que tudo seja esclarecido.
Porque investigar corrupção enquanto se está sob questionamento não fortalece a comissão — enfraquece a verdade.
